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[Psicologia] "Brain rot": o preço da banalidade

 


Vivemos em uma era de facilidades. Para mim, por exemplo, que gosto de estudar e estar sempre aprendendo sobre coisas novas, essa é uma era perfeita! Tenho acesso a uma infinidade de conhecimento. Se antes precisaria passar horas dentro de uma biblioteca, hoje posso, do meu computador, sentado no conforto da minha cama, pesquisar sobre qualquer assunto e aprender a respeito dele. Isso, devo confessar, é simplesmente perfeito! Mas perfeito não é uma palavra adequada, porque tudo, ainda que não percebamos, possui seus dois lados. Nessa era de facilidades, se o conhecimento está disponível de maneira impensável, a futilidade e a banalidade também estão. Essas coisas, no entanto, são atraentes e até irresistíveis! Afastam-nos de nossos temores e angústias, proporcionam-nos alegrias e fagulhas de prazer! A um preço alto: o da deterioração de nossa mente.

Você deve ter ouvido falar no termo “brain rot”. Foi eleito a palavra do ano de 2024. E, de forma resumida, tem sido utilizado ao se referir ao consumo desenfreado de conteúdos superficiais, simplórios e banais na internet. Conteúdos que não desafiam nossas mentes nem agregam ao nosso conhecimento, conteúdos que, na minha visão, deixam-nos como zumbis hipnotizados por uma tela brilhante que oferece estímulos incessantes… Se, ao ler um livro, no entanto, ou a um artigo, ou mesmo ao assistir a um vídeo denso no YouTube sobre algum assunto que me interessa, saio até mesmo energizado, com novas ideias e refletindo sobre o conteúdo apresentado, ao estar diante desses formatos banais, embora sedutores, que levam de um ao outro em uma espiral sem fim, saio, além de cansado, sem saber de nada, sem mesmo me lembrar de qual foi o primeiro vídeo ao qual assisti, tamanha a futilidade e excessividade daquilo que é apresentado.

Não que devamos ser uns chatos que não sabem se divertir um pouquinho.

Só precisamos ter uma postura crítica para que não percamos a capacidade de pensar por nós mesmos.

 “Brain rot”, em tradução livre, remete-nos à ideia de “podridão cerebral”, algo que parece ter acontecido diante do excessivo consumo de conteúdos digitais que não nos estimulam em nossas funções cognitivas, antes nos anestesiam diante da vida dada a facilidade e sedução com a qual eles são produzidos e apresentados. Tais conteúdos parecem inofensivos, mas, quando acumulados, deixam-nos em estado de inércia: exaustos emocionalmente, levados a uma liberação excessiva de dopamina, incapazes de manter a concentração em algo mais denso... fora as comparações que por vezes fazemos entre nós e aqueles que, sempre tão sorridentes, não deixam de aparecer em nossas telas… Essa história de assistir a um vídeo curto atrás do outro ou rolar o feed até o infinito tem nos tornado cada vez menos sapiens.

 É necessário que reflitamos sobre a nossa forma de consumir aquilo que é oferecido através da internet. Temos uma ferramenta poderosa em nossas mãos. Algo que poderia nos auxiliar, e muito, em nosso crescimento pessoal, profissional, intelectual e até mesmo espiritual! Tudo depende da maneira como nos relacionamos com esse universo de possibilidades. E, para além disso, que não nos esqueçamos de que as poderosas plataformas digitais a nós disponíveis lucram, exponencialmente, com algo que damos de graça: a nossa atenção! Questione-se e desperte: sua atenção está sendo trocada pelo quê? Por algo que, silenciosamente, consome a sua mente?

(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)

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