Avançar para o conteúdo principal

[Reflexão] O valor da presença

 

Presentes

A gente se acostuma. Infelizmente, na vida, a gente acaba se acostumando com aquilo – ou aqueles – que temos ao nosso lado, em nossa existência, compartilhando conosco algum trecho da longa estrada. Coisas importantes se tornam habituais. Seria bom se fizéssemos do hábito algo com propósito. O problema é que tornamos o rotineiro em automático. Não nos importamos em manter conosco aquilo – ou aqueles – que um dia fez o nosso coração vibrar intensamente. E então, vítimas do cotidiano, enganados pelo costumeiro, deixamos de valorizar como único, especial e singular aquilo – ou aqueles – que realmente é único, especial e singular. Valorizamos o banal, negligenciamos o essencial, e só nos damos conta quando nos perdemos de nossa essência: quando nos resta o vazio.


Que não seja a falta a te ensinar o valor da presença” (Autor Desconhecido)


Quantas perdas evitáveis você já sofreu em sua vida? E quando digo evitáveis são aquelas que, por uma falta de atenção, deixamos que acontecessem. Há perdas que somos impelidos a vivenciar. Quanto a essas, nada podemos fazer. Entretanto, há perdas que, através de nossas escolhas, provocamos. Seja pelo desinteresse, pela falta de intensidade, pela falta de completude, pela insistência em acharmos que nada precisamos fazer para manter conosco o que é importante. A gente se engana ao acreditar que tudo é para sempre, que o amor é eterno, que a amizade é infindável e que as conquistas são perenes. Nós nos enganamos ao nos acostumarmos com o que precisa ser renovado dia após dia. Mas a renovação dá trabalho: teremos que realimentar aquela amizade, reacender aquele amor, ‘replanejar’ nossos sonhos. E não queremos ter trabalho. No entanto, uma bela vida é como uma obra de arte bela: não pode ser feita de qualquer jeito, espirrando jatos de tinta a torto e a direito. A arte precisa ser pensada. Mesmo a espontânea guarda em si alguma lógica: o sentido que o artista queria lhe dar. O artista, no entanto, precisa ter consciência de si para que, mesmo na incompreensão, possa se compreender.


E daí que não o compreenderão? E daí que não o entenderão? Faça como o artista despreocupado com as opiniões que o cercam: viva a partir de seu próprio sentido, fazendo-se entender por si mesmo. Valorize, ame e cuide intensamente. Coloque como prioridade aquilo – ou aqueles – que tem um inestimável valor em sua vida. A ausência pode doer. Sobretudo quando sabemos que poderíamos ter agido para que ela não acontecesse: valorizando o essencial e deixando passar o banal. Não seja alguém desinteressado. Não deixe a vida simplesmente passar. O que você espera da vida? Ela não lhe trará essas coisas via Correios. É você quem deve estar atento para quando a vida lhe der a oportunidade. Hoje é uma delas. Você foi convidado a refletir sobre a importância de manter consigo o que – ou quem – lhe é importante. Agora decida o que fará com isso...


(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)

~~~~~~~~


Salve o blog no seu navegador e acompanhe novas reflexões sempre às terças e quintas, a partir das 06 da manhã!


Saiba mais:


Sobre mim

Livros de ficção

Contos

Livros de reflexão


Você pode continuar acompanhando minhas reflexões:


- Perfil no Instagram (@c.d.vida)

- Página no Facebook (Coisas da Vida)

- Livros gratuitos (clique aqui)

- Ouça, ainda meu Podcast sobre saúde mental, autoconhecimento, família, relacionamentos e muito mais (clique aqui).


É sempre um prazer receber a sua atenção!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

[Reflexão] As suas cores

  Acho que a vida seria realmente muito chata se não houvesse música. E eu adoro ouvir as mais diversas. Meu artista favorito é o Michael. E por conta dele acabei conhecendo outros que também são incríveis e extremamente talentosos. Dentre eles, Cyndi Lauper. E há uma música que ela canta que a mim, ao menos, toca de uma forma muito profunda. Fala sobre aceitação. Mais exatamente sobre autoaceitação . Trata-se de “True Colors” que, traduzindo, ficaria como “as cores verdadeiras”. E, embora, ao longo da letra ela fale sobre aceitar as nossas cores, é perfeitamente possível que compreendamos como a aceitação de nossas características, daquelas coisas que nos distinguem das demais pessoas que habitam o planeta, elementos que, por vezes, são difíceis de serem aceitos por nós e acabam, algumas vezes, alienados, rejeitados, desprezados, ignorados. Mas são nossas coisas. São as nossas particularidades. São as coisas que nos permitem ser tão singulares e ímpares em um mundo de bilhões de ...

[Reflexão] Ouvir o cansaço

  A SENSAÇÃO DE ENFADO   Paira sobre tantos de nós a sensação de que a vida é enfadonha. Aquela sensação de arrastamento, de que para seguir em frente é necessário um tipo de esforço em nada estimulante. Não é como quando estamos extremamente engajados num projeto e varamos até mesmo a noite, envolvidos em concretizá-lo. É como se o projeto da vida deixasse de fazer sentido. O que pode guardar, em si, uma importante verdade: por vezes somos ultrajados do nosso próprio sentido, distraídos do nosso próprio propósito, passando, assim, a viver experiências que não dizem respeito aos nossos interesses nem a quem somos. Portanto, vivências sem significado.   Descansamos, mas continuamos cansados. Tudo vai bem, ao menos num nível físico. Conseguimos dormir, alimentamo-nos de forma saudável, até mesmo cumprimos com as obrigações cotidianas. Mas aquela incômoda sensação de vazio, de incertezas, permanece ao nosso lado, pairando sobre os nossos pensamentos, fazendo-nos qu...

[Reflexão] O todo é maior que a soma das partes

  “O todo é maior que a soma das partes” . Essa é uma máxima dentro da Psicologia da Gestalt que, dentre outras, é uma teoria que fornece embasamento à Gestalt-terapia , uma forma de olhar o ser humano é abordá-lo em psicoterapia sobre a qual podemos conversar em outro momento. Aqui, o que nos interessa é o significado dessa expressão que, a princípio, pode parecer confusa ou difícil de compreender, mas que, após alguns instantes de assimilação e entendimento, pode nos ajudar a encarar a vida por outros olhos, com perspectivas novas que nos façam valorizar, apreciar e até mesmo agradecer por cada parte que nos compõem.   Um exemplo bem simples – e até mesmo clichê – para que possamos compreender essa verdade é a do bolo , uma totalidade que vai para além dos ingredientes que o constroem . Isso porque não basta que agrupemos a margarina, os ovos, a farinha de trigo, o fermento, o leite e o açúcar. Não basta uma simples e limitada somatória dessas partes. Não teremos um bolo. T...