Às vezes é como se experimentássemos a sensação de que ninguém se importa conosco. Em algumas delas estamos certo. Pode ser que estejamos dentro de relações nas quais a doação é unilateral, parte apenas de nós, enquanto o outro lado pouco ou nada faz a fim de manter vivo aquilo que nos une. Nesse caso estamos certos, não há importância, não há consideração. Mas em outras estamos completamente equivocados, só que não sabemos, não percebemos, não conseguimos visualizar o nosso equívoco. Somos sim considerados e somos sim validados, importam-se sim com a nossa existência, só que não da maneira como queremos, exigimos ou idealizamos. E aí está o nosso erro. Se em algumas situações a sensação é verdadeira, em outras ela nos engana. Sinto que por vezes ficamos exageradamente autocentrados, como se o mundo nos devesse algo, como se as pessoas precisassem descobrir os segredos mais ocultos que estão escondidos dentro de nossos corações e, assim, tornamo-nos incapazes de encont...
Se o amor, com toda a sua formosura e beleza, pode acabar prejudicado e distorcido se cairmos no costumeiro da rotina, o encanto pela vida também pode ser perder quando passamos a viver no mais puro automatismo. E isso tem acontecido com muitas pessoas que acompanho. É como se as coisas perdessem o brilho, a cor, o calor de outrora. É como se agora já não tivessem nada a oferecer. O passeio no parque deixou de ser entusiástico, a viagem à praia deixou de ser aguardada e o Natal, a época mais iluminada e saborosa do ano, parece ter perdido sua luz e seu sabor. Mas não são essas coisas que deixaram de ter os seus encantos. São os nossos olhos que se tornaram incapazes de contemplar beleza na mais sutil manifestação. Isso porque parece que estamos sempre em busca do grandioso, do impressionante, do inebriante, e não nos permitimos impressionar pela delicadeza do sobrevoar de tantas aves que, ao cruzarem o vento, cantarolam por sobre nossas cabeças. Não nos permitimos, nem mesmo, a...