Há pessoas abatidas por aí. Há pessoas lutando contra algum monstro cujos assombros são sentidos apenas por elas. Há pessoas desejosas por um acolhimento e uma compreensão, por algum auxílio que as ajude a atravessar o doloroso trecho pelo qual estão passando. Há pessoas sedentas por uma conversa. Uma conversa simples, sobre coisas aleatórias, que nem precisa ser tão profunda ou transformadora, mas que as faça sentir que há outro ser humano diante delas, de carne e osso e sentimentos, ouvindo-as, dando-lhes atenção, interagindo com elas. E não é por serem mimadas ou caprichosas, não é por quererem toda a atenção do mundo para si. É mais que isso. ] É por sentirem, no íntimo de suas almas, a necessidade inerente a qualquer humano que por aqui esteja: pertencimento . Necessidade cada vez mais difícil de se realizar em um mundo repleto de individualismos, egocentrismos, artificialidades e polarizações rígidas e aparentemente insuperáveis. E essas pessoas podem estar bem...
O amor talvez não esteja necessariamente na concretude das coisas, mas na expectativa delas. Isso porque não precisamos ter aquele a quem amamos ao nosso lado para, então, sorrir agraciados. Basta que sua face passe de relance pela nossa mente. Basta que nos lembremos de que, dentro de pouco tempo, iremos nos reencontrar outra vez para aquele passeio aguardado. Ou basta que, uma vez compartilhando a vida, tenhamos planejado uma viagem apenas nossa e a simples ideia de que teremos um tempo somente para nós, livres do restante do mundo, já nos encha de alegrias e satisfações. Talvez isso aconteça porque o amor está acima de amar a presença. Amamos a existência. Só de saber que aquele que mora em nosso coração existe, é como se nada mais importasse. “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz” (Antoine de Saint-Exupéry) E aí está a magia do amor. É interessante pensar que a mera noção de que temos ao nosso lado alguém ...