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Mensagens

[Reflexão] A vida que me agrada

  A vida nos reserva surpresas. Já conversamos sobre isso por aqui, em muitos momentos. Mas o fato é que a vida nos reserva as mais inimagináveis surpresas nos mais improváveis dos tempos. E essas surpresas nos fazem rever nossos posicionamentos e nossas escolhas, fazem-nos refletir sobre a forma como temos passado por esse mundo. Às vezes dá tempo, podemos corrigir nosso passos tortuosos. Às vezes não dá, teremos que conviver com a dor do arrependimento. Algumas destas surpresas nos fazem perceber o quanto desperdiçamos a vida com coisas bobas e fúteis, outras destas surpresas nos fazem questionar se valeu mesmo a pena termos nos dedicado tanto a determinadas áreas de nossas vidas, como a profissional, enquanto negligenciamos outras, como a da família. Não tem jeito. Vez ou outra somos confrontados por situações que nos fazem questionar e indagar se a vida que temos vivido até aqui é realmente a vida que gostaríamos de descrever quando chegássemos ao ponto final. Às vezes a res...
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[Reflexão] A sabedoria do processo

  Como psicólogo tenho percebido o quanto temos tido dificuldade para respeitar o tempo das coisas. Ainda não sei ao certo como isso tem se dado, mas acredito que parte da explicação possa ser encontrada no mundo cada vez mais tecnológico no qual vivemos. Hoje, basta digitar, e você encontra respostas para as suas dúvidas em menos de um segundo. E, caso esteja impaciente para assistir ao vídeo que seu professor recomendou, é muito simples, aumente a velocidade e seja feliz! Facilidades que são sim atrativas, mas que ao mesmo tempo representam um perigo curioso: é como se quiséssemos que a vida também se apressasse, que conquistássemos logo nossos sonhos, que passássemos logo pelas experiências e que chegássemos logo ao nosso destino. Isso é perigoso primeiro porque é uma ilusão e toda ilusão nos lança à amargura da frustração. E, em segundo lugar, é perigoso por abreviar a vida: não que o tempo passe realmente mais rápido, mas ficamos tão distraídos por tantas coisas que queremos ...

[Reflexão] Cumplicidade

  Parece que, nos tempos de hoje, nossas vidas têm estado cada vez mais expostas. Mas acho que podemos ir um pouco mais além. Parece que, nos dias de hoje, temos sentido alguma necessidade de expor aquilo que estamos vivendo. Isso porque é o que vemos outras pessoas fazendo: televisionando suas vidas através de vídeos curtos, publicações que duram vinte e quatro horas ou de malabarismos para que seus “feeds” pareçam sempre tão atrativos e organizados. É quase como se a privacidade tivesse simplesmente acabado. E não é porque alguém invadiu nossa casa com drones extremamente discretos. Pelo contrário. Nós mesmos temos tornado público aquilo que, de certa maneira, compõe a nossa intimidade.   E não há problema em compartilhar o nosso cotidiano. Claro que não. Afinal, quem, assim como eu, não gosta tanto dessa autoexposição , simplesmente não precisa participar dela. O problema, entretanto, surge quando a exposição se torna mais importante que a vivência da experiência. Ba...

[Reflexão] Floresça ou refloresça

  Às vezes olhamos para a vida de uma forma bastante limitada e reducionista, privados, então, de sermos capazes de contemplarmos os mais diversos caminhos que levam aos mesmos destinos . É como alguém que sonha com um diploma de graduação. Ele não tem apenas uma opção, um único curso, mas vários. E todos o levarão ao mesmo destino: adquirir seu sonhado diploma. Se ficar reduzido a apenas um caminho, acreditando que sua decisão deva prevalecer independente de qualquer coisa, talvez faça uma má escolha e trilhe arduamente por uma estrada que poderia ser estimulante. Ao contrário, se compreende que há outros caminhos possíveis, pode se convencer de que não soube escolher dentre as alternativas, retrocede, faz o retorno, e recomeça, agora mais consciente do que busca, mais atento ao que é ofertado, mais capaz de optar por uma estrada cuja paisagem lhe faça mais sentido e, então, comece a estudar o que realmente tem a ver com o seu jeito de ser. Experimentou. Não se limitou. Nem se apr...

[Reflexão] Amor e espetáculo

  Há não muito tempo conversamos por aqui sobre o conceito de utilidade estar sendo incluído na nossa relação com as pessoas. E isso tem ficado cada vez mais claro. Tanto que muitas relações, sustentadas na superficialidade da utilidade, acabam desmoronando ao soprar de leves brisas. E em relação a isso esbarrei, nos últimos dias, em um belo pensamento que transcreverei a seguir. Ele traz uma verdade. E nos coloca para refletir sobre a complexidade do que tem acontecido. Talvez seja interessante que, antes de acompanhar as conclusões às quais cheguei, você faça uma pausa e pense aí, consigo mesmo, em como esse pensamento o afeta.   “Hoje as pessoas namoram para mostrar, não por amor, isso tem feito com que muitas pessoas prefiram ficar sozinhas” (Slavoj Zizek)   Outro autor diria que vivemos na sociedade do espetáculo. E nessa sociedade tudo precisa ser performático. É como se estivéssemos vivendo não para nós, mas para o outro, para impressioná-lo, entretê-lo, d...

[Reflexão] O tempo é irrecuperável

  Penso que na vida há coisas que possuem preço e há coisas que possuem valor. Aquilo que tem preço é conquistado pelo dinheiro e pode ser recuperado, quando perdido, da mesma forma. Quanto àquilo que possui valor, entretanto, não há nada que o dinheiro possa fazer, isso porque são coisas que, de tão valiosas, a nós são entregues de graça, pois não são coisas a serem conquistadas, mas coisas a serem vividas como parte da nossa história. Uma casa tem preço. E, com o tempo, talvez ela se torne, às nossas necessidades, insuficiente. Podemos vendê-la, ou alugá-la. E com esse dinheiro podemos comprar outra. O amor tem valor. Podemos ser milionários, melhor, podemos ser a pessoa mais rica do mundo, mas se não formos sensíveis o bastante jamais viveremos o verdadeiro amor, ele é gratuito, porém só está disponível para quem a ele se disponibiliza.   Há algo na vida que eu penso que seja a coisa mais valiosa de todas, ou ao menos está na lista das mais valiosas... E essa coisa é o...

[Reflexão] A imagem sustentada

  Às vezes sofremos para manter determinada imagem a nosso respeito. Mas não se trata da imagem que nós temos sobre nós mesmos, pelo contrário. Trata-se da imagem que queremos sustentar perante as demais pessoas . E, em nome disso, acabamos nos submetendo a difíceis situações que nos desgastam, desumanizam, invalidam nossos sentimentos, negligenciam nossas necessidades e colocam em risco a nossa dignidade. Tudo porque queremos ser vistos como a pessoa competente, a pessoa forte, a pessoa que dá conta, a pessoa que realiza, a pessoa que não precisa de ajuda, a pessoa que tem a solução para todos os problemas .   Temos os nossos motivos para procurar sustentar essa imagem. E eles podem ser variados. Entendê-los pode nos ajudar a compreender como se sustentam em nossas vidas, mas pouco resolve. Isso porque fazer diferente passa por entendermos, nós mesmos, que o que verdadeiramente importa na vida não é o que pensam ou deixam de pensar a nosso respeito, mas o que nós sabemos ...