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Mensagens

[Psicologia] Infância não é conteúdo

  O conteúdo deste texto está também disponível no último episódio lançado no Insight Psicologias que você pode ouvir em:   Estamos na era da conexão, da informação, da tecnologia e da exposição. Se antes era necessário que conquistássemos o status de popstars para, então, termos nossos rostos exibidos em cada canto, hoje a possibilidade de viralizarmos é imensa, bastando que nossa imagem chegue, de alguma forma, às correntezas da internet.   Um dos públicos mais suscetíveis a isso é o da infância.   Crianças, normalmente, são vistas como criaturinhas fofas, cheias de gracejos que fazem as pessoas sorrirem e se admirarem. Mesmo quando estão fazendo alguma birra, muitos adultos veem isso como algo engraçado, divertido, digno de ser registrado e, o que é pior, postado! Afinal, pode gerar engajamento, ou mesmo servir como plataforma de pertencimento e validação para o quanto a experiência da paternidade pode ser desafiadora ou o quanto querem transmitir a ...
Mensagens recentes

[Reflexão] Aprender exige espaço

  O conteúdo desse texto pode ser acompanhado pelo vídeo a seguir:       Há uma história muito inspiradora que, em tantos momentos, me ajuda a retornar para uma forma de viver mais consciente, pacífica e atenta ao que acontece ao meu redor. Ela narra sobre um discípulo, cheio de verdades absolutas e questionamentos que mais pareciam buscar pela confirmação de suas hipóteses, do que por respostas que pudessem realmente transformar sua forma de entender a vida.   Um belo dia, porém, como parte de sua formação, o discípulo se achegou ao mestre responsável pelos seus ensinos. Sentou-se diante do homem mais velho e começou a discorrer sobre suas ideias em relação às coisas, mal dando tempo para que o ouvinte paciente pudesse respondê-lo. O discípulo questionava o quanto se sentia confuso por aquilo que vinha aprendendo, o quanto tentava ver sentido em conteúdos que, aos seus olhos, pareciam tão vagos e fortuitos. Não se dava conta, porém, de sua forma de ...

[Reflexão] Temos tanto. Mas vivemos nada

  Os dias passam e é como se nada tivesse sido vivido. Até podemos ter a impressão de que estivemos ocupados com muitas coisas, mas esse é exatamente o problema. Fragmentados em tantas distrações, não conseguimos estabelecer um senso de continuidade e permanência em nossas experiências, restando um vazio interior que só seria preenchido pelo enraizamento daquilo que estamos vivendo.   Esse vazio, no entanto, não é resultado de faltas. A curiosa questão é que vivemos em tempos de intensa fartura. Muitas são as opções com as quais podemos preencher nosso tempo, e muitas são as possibilidades relacionais a nós apresentadas. É sábado à noite, mas não quer sair de casa? Abra os inúmeros serviços de streaming e se delicie com um cardápio infinito. É sexta-feira e gostaria de sair com alguém? Entre em aplicativos de relacionamento e, então, escolha a opção que mais lhe atrair.   Mas não se preocupe em ter que viver tais possibilidades até o fim. O filme não o cativou ...

[Reflexão] O menos desconfortável

  Temos nossas individualidades, aquelas coisas apenas nossas e que, de certa forma, ajudam a compor nossa identidade. São coisas que, em muitos momentos, nos diferenciam das demais pessoas que habitam o mundo. Seja um modo de falar, um gosto musical, uma preferência artística ou mesmo a apreciação por determinado estilo de vida. Algumas dessas coisas nos acompanham desde que éramos crianças e, aprendendo com os nossos avós que um cafezinho depois do almoço cai bem, não deixamos de fazê-lo mesmo depois de crescidos. Outras dessas coisas conquistamos na adolescência, aquele período de descobertas e redefinições, quando passamos por uma necessária diferenciação entre nós e aqueles que nos cercam e entendemos que rock é o nosso gênero predileto! E também há coisas que descobrimos depois de grandinhos, até mesmo velhinhos, como a diversão que encontramos naquele jogo de videogame que o nosso neto de doze anos nos convidou para jogar… Enfim, somos compostos por particularidades que nos...

[Reflexão] O perigo de se acostumar com a vida

  A felicidade, como concebida pela sociedade contemporânea, não existe para Arthur Schopenhauer, filósofo considerado pessimista que nos ajuda a compreender que a vida humana é permeada por um constante estado de insatisfação, insuficiência e infelicidade.   Mas calma... Nem tudo está perdido!   É, antes de tudo, importante compreendermos o quanto somos bombardeados, nos tempos presentes, por uma positividade descrita como tóxica que nos faz acreditar que a felicidade é algo a ser alcançado a qualquer custo, pois, apregoa-se, é exatamente o que merecemos. Só que essa é uma forma de pensar muito recente, que ganhou força conforme o espírito individualista passou a dominar nosso tempo, convencendo-nos do quanto somos absolutamente responsáveis pela felicidade da qual queremos usufruir.   O que é, em partes, um erro.   E é um erro porque nossa vida é recheada por situações e circunstâncias que fogem ao nosso controle, como nos ensinam os estoicos. ...