A autopercepção é um instrumento de desenvolvimento, crescimento e libertação. Isso porque ela nos permite, em meio ao caos, diferenciarmo-nos do que está turvo e bagunçado, compreendendo aquilo que é nosso, de nossa responsabilidade, e aquilo sobre o qual nada temos de controle ou comprometimento. É como alguém que, sempre prestativo aos outros, mas sem perceber sua atitude nas relações que estabelece, encontra-se atolado de demandas que, realmente, nem lhe pertencem, mas que a ele foram delegadas. Ele se questiona e se irrita. “ Como são capazes de me pressionarem dessa forma?” Até que se dá conta da sua tendência a demonstrar boa vontade até para assuntos que não são de sua competência. Percebe que tem alimentado os preguiçosos e oportunistas que lhe demandam o impossível. E, então, consciente da responsabilidade que tem no próprio sofrimento e no próprio desconforto, tem a chance de mudar, de se transformar, estabelecendo limites e sabendo ser prestativo no momento adequado...
Há pessoas abatidas por aí. Há pessoas lutando contra algum monstro cujos assombros são sentidos apenas por elas. Há pessoas desejosas por um acolhimento e uma compreensão, por algum auxílio que as ajude a atravessar o doloroso trecho pelo qual estão passando. Há pessoas sedentas por uma conversa. Uma conversa simples, sobre coisas aleatórias, que nem precisa ser tão profunda ou transformadora, mas que as faça sentir que há outro ser humano diante delas, de carne e osso e sentimentos, ouvindo-as, dando-lhes atenção, interagindo com elas. E não é por serem mimadas ou caprichosas, não é por quererem toda a atenção do mundo para si. É mais que isso. ] É por sentirem, no íntimo de suas almas, a necessidade inerente a qualquer humano que por aqui esteja: pertencimento . Necessidade cada vez mais difícil de se realizar em um mundo repleto de individualismos, egocentrismos, artificialidades e polarizações rígidas e aparentemente insuperáveis. E essas pessoas podem estar bem...