A felicidade, como concebida pela sociedade contemporânea, não existe para Arthur Schopenhauer, filósofo considerado pessimista que nos ajuda a compreender que a vida humana é permeada por um constante estado de insatisfação, insuficiência e infelicidade. Mas calma... Nem tudo está perdido! É, antes de tudo, importante compreendermos o quanto somos bombardeados, nos tempos presentes, por uma positividade descrita como tóxica que nos faz acreditar que a felicidade é algo a ser alcançado a qualquer custo, pois, apregoa-se, é exatamente o que merecemos. Só que essa é uma forma de pensar muito recente, que ganhou força conforme o espírito individualista passou a dominar nosso tempo, convencendo-nos do quanto somos absolutamente responsáveis pela felicidade da qual queremos usufruir. O que é, em partes, um erro. E é um erro porque nossa vida é recheada por situações e circunstâncias que fogem ao nosso controle, como nos ensinam os estoicos. ...
Acredito que, em muitos contextos das nossas vidas, vivemos apenas o resultado daquilo que escolhemos. E isso nos liberta de uma forma que nem sempre entendemos. É bem verdade que há coisas na vida que fogem do nosso controle e, quanto a elas, nem sempre teremos algo a fazer a não ser mudar nossa forma de vivê-las. Há coisas, no entanto, sobre as quais temos algum tipo de poder de ação, cabendo a nós a conscientização da parte que nos cabe. Dentre essas coisas, o amor. Muitos dizem, emocionados, que adorariam viver um amor eterno, uma história que não findasse, uma relação que se prolongasse através dos anos. Só que dizem isso como se, apenas ao dizerem, as coisas acontecessem. É como se lançassem suas preces aos céus e, então, de braços cruzados, aguardassem que a vida se encarregasse de todo o resto. Só que não é assim que acontece. Pelo menos não quando o assunto é amor. Pois ele precisa ser mantido, para além de ser conquistado. Afinal, conquistá-lo pode ser fácil, às vezes ...