Cair no costumeiro da rotina é um erro grave que podemos cometer. Isso porque experimentamos da sensação de que tudo nos é garantido, de que tudo será eternamente como sempre foi. Mas isso não é verdade. Quando eu era criança, ainda muito pequeno, pensava que o mundo sempre fora como os meus olhos contemplavam e, como deve acontecer com todas as pessoas que um dia foram bem pequeninas, acreditava que o mundo, o meu mundo, nunca se transformaria. Mas, então, os anos se passaram a mim como passam para qualquer um de nós e me trouxeram uma das mais dolorosas verdades: tudo muda, queiramos ou não, estejamos abertos a essa mudança ou não, a vida segue o seu fluxo, o seu ritmo, e aquilo que um dia parecia eterno revela-se tão finito quanto o vapor d’água que se esvai assim que a gota fria se encontra com a superfície quente . Mas como, e, novamente, como qualquer outro ser humano, não nasci sábio e entendido quanto às coisas da vida, essa verdade não foi assimilada rapidame...
A autopercepção é um instrumento de desenvolvimento, crescimento e libertação. Isso porque ela nos permite, em meio ao caos, diferenciarmo-nos do que está turvo e bagunçado, compreendendo aquilo que é nosso, de nossa responsabilidade, e aquilo sobre o qual nada temos de controle ou comprometimento. É como alguém que, sempre prestativo aos outros, mas sem perceber sua atitude nas relações que estabelece, encontra-se atolado de demandas que, realmente, nem lhe pertencem, mas que a ele foram delegadas. Ele se questiona e se irrita. “ Como são capazes de me pressionarem dessa forma?” Até que se dá conta da sua tendência a demonstrar boa vontade até para assuntos que não são de sua competência. Percebe que tem alimentado os preguiçosos e oportunistas que lhe demandam o impossível. E, então, consciente da responsabilidade que tem no próprio sofrimento e no próprio desconforto, tem a chance de mudar, de se transformar, estabelecendo limites e sabendo ser prestativo no momento adequado...