Gosto muito de podcasts. Sobretudo daqueles que falam sobre saúde mental e nos ajudam a pensar a vida de maneira flexível e reflexiva. Com isso acabei acompanhando uma entrevista da psicóloga Karina Fukumitsu ao Gestalt Paraná. A conversa vale muito a pena e garanto que são duas horas de um conteúdo tão maravilhoso que mal percebemos o tempo passar. Karina é de uma sensibilidade e generosidade incríveis. Ouvi-la já é quase como uma terapia. Olhamos para a vida de forma diferente e passamos a prestar atenção em coisas que, normalmente, simplesmente passam diante dos nossos olhos, mas não contatam o nosso coração. E Karina nos convida a isso. A estarmos presentes no presente, atentos ao que nos é suscitado a cada segundo de nossos encontros. Acho que já falei que vale a pena, né? rsrs E teve algo que chamou muito a minha atenção e sobre o qual fiquei refletindo. Em dado momento da conversa, falando sobre os sofrimentos presentes na vida, Karina nos brindou com um brilhante...
Por vezes esperamos receber algo de alguém. E ficamos na expectativa de que ele consiga contemplar os intentos de nosso coração. É problemático, quando, sem dizer palavra alguma ou esboçar qualquer desejo, imaginamos que ele adivinhará nossos pensamentos. Isso nem sempre acontece, pois, como diziam os nossos avós, ninguém tem uma bola de cristal. Acabamos, de certo modo, decepcionados. Decepção que dirigimos ao outro quando que, na verdade, deveríamos assumi-la como nossa: a expectativa nos pertencia, o desejo habitava em nosso íntimo, nós que não soubemos administrar nossas necessidades e sermos claros ao expressá-las àquele que considerávamos capaz de atendê-las. Necessidades que, também por vezes, não caberiam ao outro suprir. Isso porque, em certos momentos, procuramos no mundo lá fora aquilo que nos falta no mundo aqui dentro e que seria de nossa responsabilidade suprir. E nem percebemos. É como alguém que, com dificuldades para se acolher e respeitar, para ...