Se o amor, com toda a sua formosura e beleza, pode acabar prejudicado e distorcido se cairmos no costumeiro da rotina, o encanto pela vida também pode ser perder quando passamos a viver no mais puro automatismo. E isso tem acontecido com muitas pessoas que acompanho. É como se as coisas perdessem o brilho, a cor, o calor de outrora. É como se agora já não tivessem nada a oferecer. O passeio no parque deixou de ser entusiástico, a viagem à praia deixou de ser aguardada e o Natal, a época mais iluminada e saborosa do ano, parece ter perdido sua luz e seu sabor. Mas não são essas coisas que deixaram de ter os seus encantos. São os nossos olhos que se tornaram incapazes de contemplar beleza na mais sutil manifestação. Isso porque parece que estamos sempre em busca do grandioso, do impressionante, do inebriante, e não nos permitimos impressionar pela delicadeza do sobrevoar de tantas aves que, ao cruzarem o vento, cantarolam por sobre nossas cabeças. Não nos permitimos, nem mesmo, a...
Cair no costumeiro da rotina é um erro grave que podemos cometer. Isso porque experimentamos da sensação de que tudo nos é garantido, de que tudo será eternamente como sempre foi. Mas isso não é verdade. Quando eu era criança, ainda muito pequeno, pensava que o mundo sempre fora como os meus olhos contemplavam e, como deve acontecer com todas as pessoas que um dia foram bem pequeninas, acreditava que o mundo, o meu mundo, nunca se transformaria. Mas, então, os anos se passaram a mim como passam para qualquer um de nós e me trouxeram uma das mais dolorosas verdades: tudo muda, queiramos ou não, estejamos abertos a essa mudança ou não, a vida segue o seu fluxo, o seu ritmo, e aquilo que um dia parecia eterno revela-se tão finito quanto o vapor d’água que se esvai assim que a gota fria se encontra com a superfície quente . Mas como, e, novamente, como qualquer outro ser humano, não nasci sábio e entendido quanto às coisas da vida, essa verdade não foi assimilada rapidame...