Os dias passam e é como se nada tivesse sido vivido. Até podemos ter a impressão de que estivemos ocupados com muitas coisas, mas esse é exatamente o problema. Fragmentados em tantas distrações, não conseguimos estabelecer um senso de continuidade e permanência em nossas experiências, restando um vazio interior que só seria preenchido pelo enraizamento daquilo que estamos vivendo. Esse vazio, no entanto, não é resultado de faltas. A curiosa questão é que vivemos em tempos de intensa fartura. Muitas são as opções com as quais podemos preencher nosso tempo, e muitas são as possibilidades relacionais a nós apresentadas. É sábado à noite, mas não quer sair de casa? Abra os inúmeros serviços de streaming e se delicie com um cardápio infinito. É sexta-feira e gostaria de sair com alguém? Entre em aplicativos de relacionamento e, então, escolha a opção que mais lhe atrair. Mas não se preocupe em ter que viver tais possibilidades até o fim. O filme não o cativou ...
Temos nossas individualidades, aquelas coisas apenas nossas e que, de certa forma, ajudam a compor nossa identidade. São coisas que, em muitos momentos, nos diferenciam das demais pessoas que habitam o mundo. Seja um modo de falar, um gosto musical, uma preferência artística ou mesmo a apreciação por determinado estilo de vida. Algumas dessas coisas nos acompanham desde que éramos crianças e, aprendendo com os nossos avós que um cafezinho depois do almoço cai bem, não deixamos de fazê-lo mesmo depois de crescidos. Outras dessas coisas conquistamos na adolescência, aquele período de descobertas e redefinições, quando passamos por uma necessária diferenciação entre nós e aqueles que nos cercam e entendemos que rock é o nosso gênero predileto! E também há coisas que descobrimos depois de grandinhos, até mesmo velhinhos, como a diversão que encontramos naquele jogo de videogame que o nosso neto de doze anos nos convidou para jogar… Enfim, somos compostos por particularidades que nos...