Como psicólogo tenho percebido o quanto temos tido dificuldade para respeitar o tempo das coisas. Ainda não sei ao certo como isso tem se dado, mas acredito que parte da explicação possa ser encontrada no mundo cada vez mais tecnológico no qual vivemos. Hoje, basta digitar, e você encontra respostas para as suas dúvidas em menos de um segundo. E, caso esteja impaciente para assistir ao vídeo que seu professor recomendou, é muito simples, aumente a velocidade e seja feliz! Facilidades que são sim atrativas, mas que ao mesmo tempo representam um perigo curioso: é como se quiséssemos que a vida também se apressasse, que conquistássemos logo nossos sonhos, que passássemos logo pelas experiências e que chegássemos logo ao nosso destino. Isso é perigoso primeiro porque é uma ilusão e toda ilusão nos lança à amargura da frustração. E, em segundo lugar, é perigoso por abreviar a vida: não que o tempo passe realmente mais rápido, mas ficamos tão distraídos por tantas coisas que queremos ...
Parece que, nos tempos de hoje, nossas vidas têm estado cada vez mais expostas. Mas acho que podemos ir um pouco mais além. Parece que, nos dias de hoje, temos sentido alguma necessidade de expor aquilo que estamos vivendo. Isso porque é o que vemos outras pessoas fazendo: televisionando suas vidas através de vídeos curtos, publicações que duram vinte e quatro horas ou de malabarismos para que seus “feeds” pareçam sempre tão atrativos e organizados. É quase como se a privacidade tivesse simplesmente acabado. E não é porque alguém invadiu nossa casa com drones extremamente discretos. Pelo contrário. Nós mesmos temos tornado público aquilo que, de certa maneira, compõe a nossa intimidade. E não há problema em compartilhar o nosso cotidiano. Claro que não. Afinal, quem, assim como eu, não gosta tanto dessa autoexposição , simplesmente não precisa participar dela. O problema, entretanto, surge quando a exposição se torna mais importante que a vivência da experiência. Ba...