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[Reflexão] Nada está garantido

 


Pensamos que as coisas estão garantidas. E às vezes vivemos como se tivessem realmente. É quando começamos a negligenciar o devido valor que elas possuem em nossas vidas e permitimos que o tempo as corroa gradualmente. Até que elas desaparecem. É, então, quando percebemos que, não, as coisas não estão garantidas, nada nessa vida é garantido, absolutamente nada, de maneira que não sei se por aqui estarei no próximo segundo, assim como não sei se terei a chance de acompanhar as opiniões daqueles que lerem a esse texto, e também não posso garantir que as pessoas que a mim são importantes e especiais continuarão a compartilhar do mesmo mundo que eu por todos os anos que eu viver. E isso, embora triste, deve também ser encarado com sabedoria: é exatamente pelas coisas não estarem garantidas que devemos vivê-las com plenitude!

 

E dentre as coisas não garantidas, está o amor. Pois é. Ele também não é garantido. E, por isso mesmo, deve ser reconquistado todos os dias. Lamento muito quando as pessoas se esquecem de alimentá-lo, de nutri-lo, de cuidar para que, como uma flor, ele floresça a cada amanhecer. O amor não sobrevive espontaneamente. Talvez ele surja assim, nasça dessa forma, mas não se sustem desse jeito. Precisa ser mantido no carinho, no afeto, no interesse, no companheirismo, na lealdade, na parceria, no cuidado… E isso precisa ser repetitivo. Precisa acontecer sempre. E não pode cansar nunca. Pois, quando cansar, pode ter certeza, o amor já não existe. Pois o amor é suportador. O amor é resistente e persistente. É… O amor resiste a fortes tempestades. Mas mesmo o amor mais poderoso do mundo pode acabar se, esquecidos quanto ao fato de que nada está garantido por mais robusto que aparente ser, não souberem mantê-lo. E quando ele acaba resta a dor da descoberta de que um dia se teve nas mãos um tesouro, mãos que, agora, encontram-se vazias.

 

“Valoriza. Porque depois que vai embora, até o que era defeito vira saudade” (@acolhia)

 

As pessoas se cansam. As pessoas se cansam quando, sempre tão devotas ao amor que sentem, recebem apenas migalhas ou ingratidões. As pessoas podem até persistir. E persistem. Em nome do amor que experimentam tentam mais uma vez, tentam mais outra e insistem mais um pouquinho. Só que a falta de reconhecimento ao amor é como a falta de água para uma planta: ela seca, suas folhas ficam amareladas, caem, até que, depois de tanto sofrer, a plantinha se vai… As pessoas acreditam que algo possa mudar, acontecer, ficam na esperança por uma chuva que devolva ao amor sua vitalidade. Mas, ao perceberem que isso não acontecerá, embora com dor, abrem seus corações e deles retiram aquele que, ali tendo uma morada, passará a se encontrar desabrigado. Aquele que não valorizou, então, descoberto, suscetível ao desinteresse daquele a quem com desinteresse cuidou, desperta tardiamente para o fato de que um dia teve a sorte de ter sido amado, talvez não da forma como queria, do jeito com o qual sonhava, mas da maneira como aquele pôde amá-lo, mas que agora vive com o azar de não ter um coração no qual se abrigar. Talvez vá atrás. Talvez insista. Talvez regue com vigor. Mas a plantinha morreu, já não pode reagir, já não quer ressurgir. O amor já não existe, não pôde persistir, pois, descobriu, não havia pelo que insistir. Tomara que aquele que um dia com tanto afinco amou encontre alguém sensível ao seu afeto. E tomara que aquele tendo sido amado, mas completamente distraído, um dia tenha a chance de esbarrar novamente no amor e que dessa vez cuide dele consciente do fato de que nada está garantido e na ausência de quem é importante até sua chatice vira saudade…

 

(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)

 


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