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[Reflexão] A cura do tempo

 


Acontecem coisas na vida que nos ferem e machucam. Frustrações, decepções e desilusões. Erros, fracassos e equívocos. E isso dói. Às vezes imaginávamos um futuro tão bonito e inspirador, como em um perfeito sonho do qual não queremos despertar. Mas, então, as surpresas da vida fazem desmoronar nossas idealizações, confrontam nossas expectativas e no lugar do riso pelo futuro sonhado, colocam lágrimas em nossos olhos. Lágrimas que duram algum tempo. Tempo que, em meio ao sofrimento, parece eterno. Ficamos desesperados e ansiosos. É como se qualquer possibilidade de futuro deixasse de existir. E tudo o que nos restasse fosse um eterno amanhã de dor e lamento. Só que, lembremo-nos, a vida é impermanente e o tempo com ele tudo carrega. Sejamos pacientes.

 

“O tempo não para. Sara. De dentro pra fora, não reclame da demora. É como tem que ser. Uma hora vai parar de doer” (Rachel Carvalho)

 

Só que o tempo tem o seu próprio ritmo e a sua própria forma de passar. E que bom que é assim. Porque caso contrário as coisas ficam superficiais e na primeira tempestade tornam a desmoronar. É como alguém que passa por alguma cirurgia. Ele precisa ficar um tempo de repouso para que a cicatrização aconteça. Se ele desrespeita esse tempo pode acabar com complicações. Se ele respeita esse tempo pode ficar melhor até antes do que esperava. Isso porque as coisas na vida exigem tempo para que aconteçam, amadureçam e se estruturem. Não adianta tentar apressar. Tirar o bolo do forno antes da hora só o fará murchar. Arrancar a borboleta do casulo antes do tempo certo só a fará ter suas asas atrofiadas. Comer uma fruta antes do ponto de seu amadurecimento só nos proporcionará uma experiência de gosto amargo. Ou seja, tudo na vida exige tempo.

 

Tentar acelerar sua cura não o deixará curado.

 

O processo pode ser lento, e é assim mesmo. Porque seu coração precisa se recuperar, sua alma precisa se reerguer, suas esperanças e sua fé na vida precisam ser restauradas. E essas coisas não acontecem de repente, de uma hora para a outra, bastando que “mentalizemos com força”. É claro que temos a nossa parte a fazer, o autocuidado a tomar. Por outro lado, faz parte desse autocuidado o respeito e a paciência para com o nosso próprio processo. Se estiver difícil compreender isso, busque ajuda. Mas não perca de vista que a dor vai passar em seu próprio tempo e em seu próprio ritmo. Você é como uma árvore que dá frutos no tempo certo. Nem antes nem depois, no tempo certo. Qual é o seu tempo?

 

(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)



 


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