Avançar para o conteúdo principal

[Reflexão] Zona do desconforto

 


A zona de conforto é aquele lugar no qual nos sentimos seguros e protegidos. Isso porque ali tudo é sempre familiar, conhecido e rotineiro. Sabemos exatamente como as coisas serão. Porque, na zona de conforto, tudo é sempre repetitivo. São as mesmas pessoas, as mesmas conversas, as mesmas falas e as mesmas ideias. São as mesmas opiniões, as mesmas atitudes, os mesmos comportamentos e as mesmas experiências. É sempre tudo o mesmo. E isso passa a ser confortável porque não precisamos mais encarar o desconhecido, correr risco ou abrir espaço para que o estranho seja por nós assimilado e integrado. Nada é cobrado de nós. Nenhum esforço. E, por consequência, nenhum desconforto se achega até nós. Por isso que esse lugar é tão conhecido como “zona de conforto”.

 

Só que essa zona de conforto começa a se transformar em uma caverna escura e fria. Em uma ilha isolada do mundo e de suas possibilidades. Acontece que a novidade deixa de chegar até nós – ou nós deixamos de ir até à novidade. E nossas possibilidades de existência vão sendo, uma a uma, limitadas. As mesmas pessoas nos levam às mesmas conversas que nos levam às mesmas conclusões. As mesmas experiências nos levam às mesmas vivências que nos levam, também, aos mesmos resultados. Se o mundo é ruim, continua sendo ruim e será sempre ruim. Se as pessoas são chatas, continuam sendo chatas e serão sempre chatas. Se eu sou um fracassado, continuo sendo um fracassado e serei sempre um fracassado. Isso porque não há abertura para o diferente, para o novo, para uma ampliação de nossas possibilidades existenciais. Pode ter alguém chato no seu convívio, mas será que você se permite a conhecer outro tipo de pessoa? Você pode ter fracassado em um projeto, mas será que se permite a novos projetos? No mundo pode ter acontecido situações trágicas, mas será que você se permite trocar de canal para assistir a um belo exemplo de solidariedade? Como quero ver uma paisagem nova se fico sempre na mesma janela? Como as novidades da vida me surpreenderão se eu me escondo delas?

 

A zona de conforto se torna desconfortável quando a mesmice da vida nos leva a um tédio melancólico. Nada parece fazer sentido, tudo perde a cor e a vida passa a ser encarada como um vídeo que se repete infinitamente. Não arrisco. Não saio da caverna. Fico preso lá dentro assombrado pelas sombras de um mundo que nem conheço, sombras que poderiam ser o resultado do toque da luz do sol sobre as mais belas e robustas árvores a cuja beleza não me atento, não me permito, não me sensibilizo. Acorrentado na zona do desconforto, penso que a vida é desconfortável, mas não percebo que sou eu, na minha limitada posição, que alimento esse desconforto.

 (Texto de Amilton Júnior – @c.d.vida)



~~~~~~~~

 

Salve o blog no seu navegador e acompanhe novas reflexões às terças, quartas e quintas, a partir das 06h da manhã!

 

Conheça alguns serviços:

 

Psicoterapia Online

Monitoria em Psicologia

Encomenda de Textos Personalizados

Grupos de Estudo e Rodas de Conversa

 

Você pode continuar acompanhando minhas reflexões:

 

- Perfil no Instagram (@c.d.vida)

- Página no Facebook (Coisas da Vida)

- Livros gratuitos (clique aqui)

- Ouça, ainda, o podcast Coisas da Vida no Spotify

- E não deixe de conferir o canal Coisas da Vida no YouTube!

 

É sempre um prazer receber a sua atenção!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

[Reflexão] As suas cores

  Acho que a vida seria realmente muito chata se não houvesse música. E eu adoro ouvir as mais diversas. Meu artista favorito é o Michael. E por conta dele acabei conhecendo outros que também são incríveis e extremamente talentosos. Dentre eles, Cyndi Lauper. E há uma música que ela canta que a mim, ao menos, toca de uma forma muito profunda. Fala sobre aceitação. Mais exatamente sobre autoaceitação . Trata-se de “True Colors” que, traduzindo, ficaria como “as cores verdadeiras”. E, embora, ao longo da letra ela fale sobre aceitar as nossas cores, é perfeitamente possível que compreendamos como a aceitação de nossas características, daquelas coisas que nos distinguem das demais pessoas que habitam o planeta, elementos que, por vezes, são difíceis de serem aceitos por nós e acabam, algumas vezes, alienados, rejeitados, desprezados, ignorados. Mas são nossas coisas. São as nossas particularidades. São as coisas que nos permitem ser tão singulares e ímpares em um mundo de bilhões de ...

[Reflexão] Ouvir o cansaço

  A SENSAÇÃO DE ENFADO   Paira sobre tantos de nós a sensação de que a vida é enfadonha. Aquela sensação de arrastamento, de que para seguir em frente é necessário um tipo de esforço em nada estimulante. Não é como quando estamos extremamente engajados num projeto e varamos até mesmo a noite, envolvidos em concretizá-lo. É como se o projeto da vida deixasse de fazer sentido. O que pode guardar, em si, uma importante verdade: por vezes somos ultrajados do nosso próprio sentido, distraídos do nosso próprio propósito, passando, assim, a viver experiências que não dizem respeito aos nossos interesses nem a quem somos. Portanto, vivências sem significado.   Descansamos, mas continuamos cansados. Tudo vai bem, ao menos num nível físico. Conseguimos dormir, alimentamo-nos de forma saudável, até mesmo cumprimos com as obrigações cotidianas. Mas aquela incômoda sensação de vazio, de incertezas, permanece ao nosso lado, pairando sobre os nossos pensamentos, fazendo-nos qu...

[Reflexão] O todo é maior que a soma das partes

  “O todo é maior que a soma das partes” . Essa é uma máxima dentro da Psicologia da Gestalt que, dentre outras, é uma teoria que fornece embasamento à Gestalt-terapia , uma forma de olhar o ser humano é abordá-lo em psicoterapia sobre a qual podemos conversar em outro momento. Aqui, o que nos interessa é o significado dessa expressão que, a princípio, pode parecer confusa ou difícil de compreender, mas que, após alguns instantes de assimilação e entendimento, pode nos ajudar a encarar a vida por outros olhos, com perspectivas novas que nos façam valorizar, apreciar e até mesmo agradecer por cada parte que nos compõem.   Um exemplo bem simples – e até mesmo clichê – para que possamos compreender essa verdade é a do bolo , uma totalidade que vai para além dos ingredientes que o constroem . Isso porque não basta que agrupemos a margarina, os ovos, a farinha de trigo, o fermento, o leite e o açúcar. Não basta uma simples e limitada somatória dessas partes. Não teremos um bolo. T...