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Mensagens

A mostrar mensagens de novembro, 2025

[Reflexão] Criar raízes

  Lembrando-me de Bauman e de seus escritos sobre a liquidez da vida, peguei-me pensando sobre o quanto as coisas têm estado tão superficiais. Muitos podem ser os exemplos. Desde alguém que, estudando, pouco se aprofunda no conteúdo do que está sendo ensinado, até alguém que, permitindo-se a um relacionamento, pouco se interessa genuinamente por aquilo que acontece entre ele e a outra pessoa. O resultado? Tempos cada vez mais voláteis, frágeis, sem sustentação. As coisas têm desmoronado. As pessoas. É como se por coisas pequenas, bobas até, tipo uma brisa, a mais grandiosa das construções, pelo menos em aparência, se transforme em um amontoado de poeira .   “Quando as raízes são profundas, não há razão para temer o vento” (Autor Desconhecido)   E penso que parte da justificativa para essa superficialidade de nossos tempos se dê pela falta de paciência daqueles que, extremamente imediatistas, não sabem apreciar o processo. Pois é como se dá o processo que indica se...

[Reflexão] Tarde demais...

  O inesperado nos ronda. Sempre. E constantemente . Às vezes ele é agradável... Como quando recebemos uma ligação repentina daquele amigo tão amado, ou o encontramos subitamente na rua. A gente conversa por horas, é verdade. Falamos sobre tudo. Coisas sérias. Coisas aleatórias. Coisas sem fim. Coisas que apenas nós entendemos. Trocamos fotos, talvez. Atualizamos como os nossos filhos cresceram ou como está desconfortável perceber que os nossos pais estão ficando cada vez mais velhos . E o assunto rende. Poderia fazer muito tempo que não nos falávamos. Então a ligação, ou mesmo o encontro despropositado, serviu para matar uma saudade que perdurava por dias. Voltamos às nossas vidas felizes, sorridentes, renovados. Que agradável surpresa!   No entanto, às vezes o inesperado é absurdamente doloroso e difícil de aceitar... Como quando, no meio de uma festa, alguém nos chama de canto para dizer que o amigo do nosso filho entrou em contato avisando que o garoto sofreu um aciden...

[Reflexão] Na espera pelo que poder

  Não faz muito tempo que conversamos por aqui sobre o que seria a vida. Na ocasião, trazendo algumas reflexões de Viktor Frankl, pudemos concluir que a vida é praticamente a oportunidade para algo, para que construamos algo, para que escrevamos a nossa história . Minhas leituras, no entanto, continuam. E hoje quero complementar aquela discussão com mais uma ideia na qual esbarrei recentemente e que, como daquela vez, também procura definir o que seria a vida, esse espaço entre o nascimento e a morte. É mais uma visão. Mais um pensamento. Pode não ser a grande verdade. Talvez nem exista isso de verdade única quando falamos sobre a vida . Mas com certeza é mais um ponto de vista que pode nos ajudar a pensar sobre a forma como temos vivido.   “A vida é a espera do que pode ser vivido” (Mia Couto)   Isso é muito interessante. E não necessariamente contradiz a ideia inicial de que a vida seria a oportunidade para algo. Pelo contrário. Acredito que possa ser um complem...

[Reflexão] Destino irreparável

  Há coisas que somos capazes de mudar. Se iniciamos uma faculdade, por exemplo, e ao longo do terceiro semestre descobrimos que aquele não é o nosso caminho, podemos voltar atrás, interromper aquele percurso e, em outro momento, com mais calma, tranquilidade e consciência, optar por um caminho que a nós seja melhor e faça um maior sentido. Entretanto, há coisas que somos tremendamente incapazes de mudar. Se alguém que muito amamos perde a sua vida em decorrência de um acidente inesperado ou de uma enfermidade que vinha se arrastando por algum tempo, nada podemos fazer quanto a isso, afinal, não temos o poder de decidir sobre a natureza, ela se impõe e a nós resta a aceitação do que não podemos mudar. Mas aceitar é doloroso. E como é!   “Ou mudamos o destino – se for possível – ou o acolhemos de boa vontade – se for necessário” (Viktor Frankl)   Há coisas que não mudamos, mas que também não precisamos aceitar em nossas vidas. Posso não gostar de determinada nov...

[Reflexão] Em busca de nutrição

  O mundo está repleto de muitas oportunidades. Podemos escolher qualquer coisa que quisermos . É claro, há coisas que por enquanto nos são impossíveis como, por exemplo, comprar um lote de terreno em Marte. Porém, os nossos limites de possibilidades se expandiram enormemente nos últimos anos. Acredito que quem viveu há cem anos, caso retornasse à vida, em muito estranharia o mundo de hoje tanto quanto um homem pré-histórico que, ao ser descongelado, poderia ficar aturdido com uma realidade totalmente desconhecida. Fato é que temos muitas opções. Parece que estamos diante de uma mesa farta. Uma mesa com frutas e legumes, mas também com lanches e salgadinhos. Uma mesa vasta e aparentemente infinita que pode até mesmo nos deixar confusos quanto ao que escolher. Tamanha é a oferta a qual temos acesso.   Canais variados no YouTube, perfis diversos no Instagram, uma multidão de pessoas falando de forma rápida e veloz em vídeos do TikTok. Muita coisa. Muita gente. Muito falatór...

[Reflexão] O genuíno cuidado

  É importante tomarmos cuidado para não nos transformamos em pessoas extremamente autocentradas e individualistas que passam a ver o mundo, as pessoas e as situações dos lugares nos quais se assentam, considerando suas concepções e conclusões a partir desses lugares como as únicas possíveis, as únicas aceitáveis e as únicas verdadeiras. Isso é perigoso. Sobretudo num mundo como o nosso, repleto de divergências, diferenças e diversidades. Cheio de ideias diferentes, modos diferentes, jeitos de existir que se distanciam em certos momentos e acabam convergindo em ao menos um: encontrar a melhor maneira de por esse mundo passar . Autocentrados, não conseguimos olhar para o mundo para além de nosso umbigo, compreendendo que, como nós, cada pessoa vê o mundo a partir de seu próprio lugar, de dentro da sua própria pele. Individualistas, é como se quiséssemos que todos vivessem a vida como nós a vivemos e, então, acabamos resistentes para compreender as individualidades que diferem da nos...