O inesperado nos
ronda. Sempre. E constantemente.
Às vezes ele é agradável... Como quando recebemos uma ligação repentina daquele
amigo tão amado, ou o encontramos subitamente na rua. A gente conversa por
horas, é verdade. Falamos sobre tudo. Coisas sérias. Coisas aleatórias. Coisas
sem fim. Coisas que apenas nós entendemos. Trocamos fotos, talvez. Atualizamos como os nossos filhos cresceram
ou como está desconfortável perceber que os nossos pais estão ficando cada vez
mais velhos. E o assunto rende. Poderia fazer muito tempo que não nos
falávamos. Então a ligação, ou mesmo o encontro despropositado, serviu para
matar uma saudade que perdurava por dias. Voltamos
às nossas vidas felizes, sorridentes, renovados. Que agradável surpresa!
No entanto, às vezes o inesperado é absurdamente
doloroso e difícil de aceitar... Como quando, no meio de uma festa, alguém nos
chama de canto para dizer que o amigo do nosso filho entrou em contato avisando
que o garoto sofreu um acidente, precisou ir ao hospital e os médicos convocam
a nossa presença o quanto antes. Em um
segundo tudo muda. Nosso semblante se enrijece. E nosso coração se desespera.
Lembramos da nossa última conversa. Pode ser que tenha sido divertida, menos
mau. Só que às vezes foi áspera, cheia de acusações e limitações exageradas. As
pessoas percebem, mas não queremos falar. Nem mesmo sabemos o que há para ser
dito. Corremos apressados, desrespeitamos os semáforos fechados, ignoramos as
buzinas e quase atropelamos um cachorrinho que atravessava a rua naquela noite
turbulenta. Adentramos o hospital
apressados e angustiados. Queremos notícias. Queremos logo! Tais notícias
podem ser apaziguadoras. Nosso filho
precisou passar por uma cirurgia, mas vai se recuperar. Ou podem ser
angustiantes. Nosso filho vai ficar bem,
mas com sequelas. Ou, ainda, podem ser avassaladoras. Os médicos tentaram, de todas as formas, incansavelmente, mas não
conseguiram, ele já não está entre nós. Lágrimas. Dores. Raiva. Gritos. O
tormento do trágico inesperado. Um filme passa diante de nossos olhos. Não há mais o que possamos fazer. O que
vivemos até ali, vivemos. O que não vivemos, não viveremos mais...
O inesperado agradável é simplesmente isso,
agradável. Vida que segue.
Mas o inesperado
ruim é doloroso e paralisante.
Ficamos lá, olhando para ele, sem saber o que fazer
ou a quem recorrer. Brigamos contra ele, praguejamos, o amaldiçoamos, mas no
fundo sabemos: é inútil. Deveríamos ter
feito diferente, aproveitado mais, vivido os momentos, visto os sorrisos,
compartilhado as lágrimas, pedido desculpas, concedido perdão, dado as mãos,
trocado beijos, acolhido em abraços, feito companhia nas noites mais
improváveis... Deveríamos ter vivido as coisas simples que, de tão simples,
são impagáveis e tornam-se eternas em nossos corações.
Tarde demais... O inesperado aconteceu. E dessa vez
não foi agradável. Resta o arrependimento, quando a vida não é vivida com a
presença que exige. Resta, apesar da dor
e do sofrimento, o agradecimento pela oportunidade de ter sido tocado na alma
pelas sutilezas da existência...
“Que a gente não espere coisas ruins acontecerem
para lembrar que a vida é frágil, que o tempo passa rápido e que os momentos
simples importam demais” (Victor Fernandes)
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