NUNCA É SUFICIENTE Estamos mergulhados em uma cultura que preza pela realização constante e ilimitada. Parece que sempre há algo a ser aprimorado em nós, o que, em certa medida, não é de todo errado. A questão que se apresenta, e que muitas vezes nos adoece e até paralisa, é que essa busca por aprimoramento tem nos deixado insatisfeitos com a nossa própria vida. Isso porque somos levados, ainda que de forma indireta e inconsciente, a desrespeitar nossos próprios limites. Faça exercícios, estude oito idiomas, termine cinco pós-graduações, tenha o cuidado de manter suas amizades, mas também não se esqueça daquele tempinho para meditação. Atualize suas redes sociais, faça aquela aula sobre como ser uma mãe melhor, leia aquele livro sobre como ser um profissional mais eficiente, organize sua agenda de modo a não desperdiçar tempo. Conheça aquele aplicativo, esteja atento ao novo que será lançado, assista àquele filme sobre o qual estão todos falando. Viaje. Faç...
Nosso erro está em achar que a vida é eterna. Quer dizer… No fundo eu sei que todos nós sabemos que a vida não é eterna e que um dia, querendo ou não, teremos que partir. Mas veja bem… Sabe quando o shampoo está acabando? A gente fica postergando. Nós sempre temos aquela sensação de que ainda há algum restinho a ser aproveitado. Até que, quase torcendo o frasco, não sai mais nada. Lamentamos. Até ficamos frustrados. O que é confuso… Sabíamos que estava acabando, não acabou do nada, nós tínhamos visto. Mas ficamos naquela de que ainda dava para aproveitar. Fazemos algo parecido com a vida. É como se tivéssemos a sensação de que sempre dá para aproveitar, de que há mais, de que há tempo. Se você for um jovem de vinte e seis anos, concordo, na teoria ainda há tempo. Se for um senhor de oitenta e três, também concordo, a vida não acabou afinal. Mas pode acabar. Tanto para o jovem de vinte e seis quanto para o senhor de oitenta e três. A vida pode simplesmente terminar. É como o sham...