Avançar para o conteúdo principal

[Reflexão] O erro das generalizações

 

Generalizar

Em determinados momentos da nossa vida adotamos maneiras distorcidas de pensar. Em algumas vezes catastrofizamos, imaginamos tragédias que, racionalmente, jamais aconteceriam. Em outras vezes nos deixamos levar por personalizações e consideramos que todas as mazelas que acontecem ao nosso redor são de estrita culpa nossa (não que devamos, então, fechar os olhos para as nossas responsabilidades, mas será mesmo que somos tão responsáveis assim por tudo que acontece?). No entanto, sobre uma forma distorcida de pensar que gostaria de trazer hoje é quando fazemos generalizações, quando somos incapazes de discriminar e diferenciar as situações e, a partir de uma experiência desagradável, definimos a vida. Então se falhamos em uma entrevista de emprego, consideramos que somos uns fracassados e que nenhuma dará certo. Se tivemos um mau relacionamento com uma pessoa, então concluímos que relacionamentos são horríveis e que não merecem ser vividos. Vivendo por esse viés, pautando toda a nossa existência a partir de eventos isolados, vamos, aos poucos, recolhendo-nos do mundo, fechando-nos para novas experiências, adotando um comportamento evitativo que apenas reforça a nossa crença de que a vida é sem sentido e sem atrativos. Um erro. Um equívoco. Pois, como tenta nos inspirar as palavras de Zirtaeb Onamaac:


É loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou. Entregar todos os teus sonhos porque um deles não se realizou, perder a fé em todas as orações porque em uma não foi atendido, desistir de todos os esforços porque um deles fracassou. É loucura condenar todas as amizades porque uma te traiu, descrer de todo amor porque um deles te foi infiel. É loucura jogar fora todas as chances de ser feliz porque uma tentativa não deu certo. Espero que na tua caminhada não cometas estas loucuras. Lembrando que sempre há uma outra chance, uma outra amizade, um outro amor, uma nova força. Para todo fim um recomeço!”


E não é justo com você. Não é justo que, por causa de uma rosa que espetou o seu dedo, você deixe de apreciar a beleza de todo o resto do jardim. É injusto que por causa de um amor que não prosperou, você se condene a não viver mais nenhum. Experiências individuais não podem trazer significado à nossa vida. Nossa vida só ganha sentido se a vivermos, se acumularmos experiências, se tivermos vivências. E não importa se essas experiências, em um primeiro momento, serão experimentadas como desagradáveis ou satisfatórias. Importa o sentido que daremos a elas, a forma como as compreenderemos, a interpretação que a elas garantiremos. Importa que, sejam elas boas ou más, aconteçam para nos ensinar algo, para nos ajudar a ver a vida de outros ângulos, para aumentar em nós nossa maturidade e conhecimento sobre nós mesmos.


Antes de encerrar, no entanto, quero trazer um questionamento que talvez sirva de primeiro passo rumo ao seu autoconhecimento. Sim, alguma rosa arisca pode ter espetado o seu dedo. Mas pense um pouco. Será que ela fez isso gratuitamente? Será que ela realmente quis fazer isso? Ou será que você não a apertou demais e essa foi a única maneira que ela encontrou para se proteger? É verdade que nem tudo é culpa nossa. Mas se soubermos reconhecer algumas de nossas responsabilidades sobre a vida teremos a chance de acertar mais e errar menos!


(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)

~~~~~~~~


Salve o blog no seu navegador e acompanhe novas reflexões sempre às terças e quintas, a partir das 06 da manhã!


Saiba mais:


Sobre mim

Livros de ficção

Contos

Livros de reflexão


Você pode continuar acompanhando minhas reflexões:


- Perfil no Instagram (@c.d.vida)

- Página no Facebook (Coisas da Vida)

- Livros gratuitos (clique aqui)

- Ouça, ainda meu Podcast sobre saúde mental, autoconhecimento, família, relacionamentos e muito mais (clique aqui).


É sempre um prazer receber a sua atenção!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

[Reflexão] As suas cores

  Acho que a vida seria realmente muito chata se não houvesse música. E eu adoro ouvir as mais diversas. Meu artista favorito é o Michael. E por conta dele acabei conhecendo outros que também são incríveis e extremamente talentosos. Dentre eles, Cyndi Lauper. E há uma música que ela canta que a mim, ao menos, toca de uma forma muito profunda. Fala sobre aceitação. Mais exatamente sobre autoaceitação . Trata-se de “True Colors” que, traduzindo, ficaria como “as cores verdadeiras”. E, embora, ao longo da letra ela fale sobre aceitar as nossas cores, é perfeitamente possível que compreendamos como a aceitação de nossas características, daquelas coisas que nos distinguem das demais pessoas que habitam o planeta, elementos que, por vezes, são difíceis de serem aceitos por nós e acabam, algumas vezes, alienados, rejeitados, desprezados, ignorados. Mas são nossas coisas. São as nossas particularidades. São as coisas que nos permitem ser tão singulares e ímpares em um mundo de bilhões de ...

[Reflexão] O todo é maior que a soma das partes

  “O todo é maior que a soma das partes” . Essa é uma máxima dentro da Psicologia da Gestalt que, dentre outras, é uma teoria que fornece embasamento à Gestalt-terapia , uma forma de olhar o ser humano é abordá-lo em psicoterapia sobre a qual podemos conversar em outro momento. Aqui, o que nos interessa é o significado dessa expressão que, a princípio, pode parecer confusa ou difícil de compreender, mas que, após alguns instantes de assimilação e entendimento, pode nos ajudar a encarar a vida por outros olhos, com perspectivas novas que nos façam valorizar, apreciar e até mesmo agradecer por cada parte que nos compõem.   Um exemplo bem simples – e até mesmo clichê – para que possamos compreender essa verdade é a do bolo , uma totalidade que vai para além dos ingredientes que o constroem . Isso porque não basta que agrupemos a margarina, os ovos, a farinha de trigo, o fermento, o leite e o açúcar. Não basta uma simples e limitada somatória dessas partes. Não teremos um bolo. T...

[Reflexão] Humanidade

  Olho para o mundo e parece que vejo dor e sofrimento e angústia. Parece que as pessoas estão desesperadas, sem saber aonde ir, a quem recorrer, como se estivessem perdidas, perdidas umas das outras e perdidas de si mesmas . Olho para o mundo e sinto que há dor e há assolação. Parece que está tudo tão pesado e sufocante. Incompreensões e inconstâncias. Não há paciência e não há amor. Será que sempre foi assim? Penso que não. Porque olho para o mundo e vejo pessoas com lágrimas nos olhos e mãos unidas esperando por um amanhã melhor, diferente, no qual lhes seja permitido sorrir . Pessoas em sofrimento e em lamento. Pessoas suplicando por uma ajuda.   E parece que ninguém ouve, ninguém sente, ninguém percebe.   Quantos distanciamentos e quantas inimizades. Quantas ansiedades e quantos medos. Desconfianças e incertezas. Falta de entrega suscitada pela falta de crença no sentimento que estão dispostos a oferecer. Todo mundo é um perigo em potencial. Inclusive nós me...