Avançar para o conteúdo principal

[Reflexão] Não esconda o amor

Amor


A vida é tão imprevisível... Por vezes essa imprevisibilidade é agradável, como quando, tempos depois de termos inscrito nossos nomes em um cartão que depositamos numa urna, alguém nos liga avisando que fomos sorteados para o prêmio do qual já nem nos lembrávamos. No entanto, essa imprevisibilidade também pode ser estarrecedora, como quando uma mãe despreocupada, vivendo seu dia normalmente, recebe a notícia de que o filho, voltando da escola, sofreu um acidente. A vida é assim. Surpreendente. Se a surpresa será boa ou ruim depende do contexto, das circunstâncias e do momento que vivemos. O fato é que não temos controle de nada. A não ser do momento presente.


E quando digo que temos controle sobre o momento presente deveria estar dizendo entre aspas. Não que a partir de nossa vontade a vida vá acontecer exatamente como idealizamos em nossa mente. Não é assim que funciona. Mas em relação ao passado e ao futuro, é no presente que podemos tentar fazer algo para que a vida seja mais prazerosa. Não dá para nos lamentarmos na esperança de que tudo se resolva. Nem dá para fantasiarmos com a convicção de que nossos sonhos simplesmente se concretizarão. Tudo o que nos resta é compreender como a vida está no momento e, a partir disso, fazer escolhas que nos aproximem de nosso ideal para o que seria uma vida satisfatória.


Uma dessas escolhas que podemos fazer no momento presente é a de deixarmos de lado a nossa postura de escondermos os sentimentos que cultivamos em nosso peito, sobretudo o amor. Porque nos lamentamos quando um amigo querido perde a vida sem que tenhamos tido a chance de um encontro final. Sofremos amargamente quando, sem esperar, recebemos aquela desoladora ligação dizendo que alguém muito querido, de forma inesperada, teve decretado o seu ponto final. E começamos a nos arrepender amargamente por não termos dito antes o que gostaríamos de dizer àqueles que nos eram especiais. Escondemos o amor. Sufocamos o amor. Não expressamos o amor. E com isso, sem perceber, plantamos em nosso jardim as sementes do arrependimento que, um dia, brotarão, florescerão e encherão o nosso canteiro daqueles arbustos que não gostaríamos de ter cultivado, mas que plantamos pelas escolhas que fizemos.


Não permita que a vida passe sem que as pessoas saibam o significado que elas têm para você” (Padre Fábio de Melo)


Todos partiremos desse mundo, afinal de contas, a vida está passando. Ninguém tem o poder de erguer a mão e fazer o tempo parar. Ele é implacável e é insuperável. Passa sem pedir licença. E a cada minuto que vivemos é um minuto a menos que temos disponíveis na ampulheta da vida. Não dá para desperdiçarmos. Não dá para nos enganarmos achando que sempre teremos tempo porque o engraçado é que quanto mais vivemos, menos viveremos. Nosso tempo está se esgotando. Dia após dia, segundo após segundo. Estamos a cada pequenino instante um pouco mais próximos de fazermos a nossa travessia. Assim como aqueles que amamos e estimamos. A cada avançar do ponteiro do relógio, é um tempo a menos que eles terão ao nosso lado. Entende por que não deveríamos esconder nossos sentimentos? Por que não é sensato ocultarmos daqueles que são especiais o que realmente pensamos sobre eles? Porque irão embora. Como nós também iremos. Para nunca mais nos encontramos, ao menos não nesse plano, o único que realmente conhecemos e no qual podemos fazer alguma coisa.


O amanhã talvez não exista. E a vida talvez acabe hoje. Se assim fosse, quem precisa saber o quanto é importante em sua vida? De quem você gostaria de se despedir antes que a partida acontecesse? Pense nessa possibilidade com carinho. E, ao final da leitura, pense em ir de encontro àquela pessoa que pelo simples fato de existir já o faz feliz. Não precisa entrar em desespero. Estamos falando apenas de possibilidades. Mas lembre-se que a vida é imprevisível. A única certeza da qual dispomos é a de que estamos aqui, agora, em contato com a existência. Use esse momento com sabedoria. Faça de cada instante presente o melhor Agora de sua vida. Não deixe a vida passar. Vá passando com ela. E deixando nos corações que conquistar as sementes do amor! Sementes que brotarão e florescerão: flores que eternizam a nós naqueles que amamos e aqueles que amamos em nós!


(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)


~~~~~~~~


Salve o blog no seu navegador e acompanhe novas reflexões sempre às terças e quintas, a partir das 06 da manhã!


Saiba mais:


Sobre mim

Livros de ficção

Contos

Livros de reflexão


Você pode continuar acompanhando minhas reflexões:


- Perfil no Instagram (@c.d.vida)

- Página no Facebook (Coisas da Vida)

- Livros gratuitos (clique aqui)

- Ouça, ainda meu Podcast sobre saúde mental, autoconhecimento, família, relacionamentos e muito mais (clique aqui).


É sempre um prazer receber a sua atenção!

 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

[Reflexão] As suas cores

  Acho que a vida seria realmente muito chata se não houvesse música. E eu adoro ouvir as mais diversas. Meu artista favorito é o Michael. E por conta dele acabei conhecendo outros que também são incríveis e extremamente talentosos. Dentre eles, Cyndi Lauper. E há uma música que ela canta que a mim, ao menos, toca de uma forma muito profunda. Fala sobre aceitação. Mais exatamente sobre autoaceitação . Trata-se de “True Colors” que, traduzindo, ficaria como “as cores verdadeiras”. E, embora, ao longo da letra ela fale sobre aceitar as nossas cores, é perfeitamente possível que compreendamos como a aceitação de nossas características, daquelas coisas que nos distinguem das demais pessoas que habitam o planeta, elementos que, por vezes, são difíceis de serem aceitos por nós e acabam, algumas vezes, alienados, rejeitados, desprezados, ignorados. Mas são nossas coisas. São as nossas particularidades. São as coisas que nos permitem ser tão singulares e ímpares em um mundo de bilhões de ...

[Reflexão] O todo é maior que a soma das partes

  “O todo é maior que a soma das partes” . Essa é uma máxima dentro da Psicologia da Gestalt que, dentre outras, é uma teoria que fornece embasamento à Gestalt-terapia , uma forma de olhar o ser humano é abordá-lo em psicoterapia sobre a qual podemos conversar em outro momento. Aqui, o que nos interessa é o significado dessa expressão que, a princípio, pode parecer confusa ou difícil de compreender, mas que, após alguns instantes de assimilação e entendimento, pode nos ajudar a encarar a vida por outros olhos, com perspectivas novas que nos façam valorizar, apreciar e até mesmo agradecer por cada parte que nos compõem.   Um exemplo bem simples – e até mesmo clichê – para que possamos compreender essa verdade é a do bolo , uma totalidade que vai para além dos ingredientes que o constroem . Isso porque não basta que agrupemos a margarina, os ovos, a farinha de trigo, o fermento, o leite e o açúcar. Não basta uma simples e limitada somatória dessas partes. Não teremos um bolo. T...

[Reflexão] Humanidade

  Olho para o mundo e parece que vejo dor e sofrimento e angústia. Parece que as pessoas estão desesperadas, sem saber aonde ir, a quem recorrer, como se estivessem perdidas, perdidas umas das outras e perdidas de si mesmas . Olho para o mundo e sinto que há dor e há assolação. Parece que está tudo tão pesado e sufocante. Incompreensões e inconstâncias. Não há paciência e não há amor. Será que sempre foi assim? Penso que não. Porque olho para o mundo e vejo pessoas com lágrimas nos olhos e mãos unidas esperando por um amanhã melhor, diferente, no qual lhes seja permitido sorrir . Pessoas em sofrimento e em lamento. Pessoas suplicando por uma ajuda.   E parece que ninguém ouve, ninguém sente, ninguém percebe.   Quantos distanciamentos e quantas inimizades. Quantas ansiedades e quantos medos. Desconfianças e incertezas. Falta de entrega suscitada pela falta de crença no sentimento que estão dispostos a oferecer. Todo mundo é um perigo em potencial. Inclusive nós me...