Andamos desconectados da natureza. O que é algo que
soa absurdo, pois, por mais que pareça
que não, e por mais que não tenhamos essa consciência, nós também somos a
natureza, afinal de contas, não viemos de um tubo de ensaio, ao contrário,
viemos do ato da natureza. Só que ainda assim andamos desconectados dessa
totalidade da qual fazemos parte. Não prestamos atenção no pôr-do-sol e talvez
nem mesmo saibamos dizer em qual fase a Lua se encontra. Alguns, em casos ainda
mais extremos, não saberíamos dizer nem mesmo em qual estação do ano estamos –
ou que ao menos deveríamos estar se não fossem as terríveis alterações
climáticas. O fato é que estamos
desconectados da natureza, o que nos lança a uma desconexão conosco mesmos.
A natureza nos convida a prestar atenção no ritmo
das coisas, no ciclo inevitável que tudo segue. Prestemos atenção. A cada três
meses mudam-se as estações. A cada aproximadamente sete dias a Lua muda de
fase. Os animais têm o tempo certo de dar à luz. E as árvores frutíferas
precisam completar o seu ciclo até que os frutos enfim apareçam. O Sol, como já
conversamos em outras ocasiões, ressurge aos pouquinhos, em seu próprio ritmo. E
as marés, conectadas à Lua, também se transformam em sua expressão. De maneira que tudo está organizado, de
alguma forma, obedecendo a um tempo – o tempo das coisas.
E isso nos ensina algo sobre nós mesmos. O quanto precisamos aprender a respeitar o
nosso ciclo, pois, não sendo máquinas, temos as nossas fases, temos os nossos
momentos. Às vezes estaremos em plena capacidade de expansão, adquirindo
conhecimento, contribuindo com produções. Em outras vezes estaremos
necessitados de recolhimento, retirando-nos de posições obsoletas, recuperando
as forças em um necessário descanso. Desconectados
da natureza e, portanto, inconscientes quanto ao fato de que os ciclos existem e
devem ser respeitados, não nos damos conta de nossas necessidades, não
prestamos atenção ao que é que precisamos naquele exato momento e, assim,
vivemos no automático, cumprindo o que foi idealizado, buscando atingir
resultados para os quais não nos sentimentos capacitados. Isso porque tudo
leva tempo. E até para ficarmos capazes em algo precisaremos de paciência e
constância em nosso singular caminho.
Essa desconexão, porém, deve ter algum propósito.
Afinal, pessoas desconectadas da natureza e de sua sabedoria cobram-se,
exageradamente, a serem sempre tão produtivas, proativas, iniciativas, ativas.
Até que beiram à exaustão, beneficiando aqueles que se utilizam dessa falta de
conhecimento. Os predadores, no reino animal, correm incansáveis atrás de suas
presas. Até que as alcançam. Alimentam-se e saciam sua necessidade de comida.
E, então, descansam. É a natureza agindo. Nós não. Corremos atrás de resultados, obtemos o que queremos, mas não fazemos
uma pausa a fim de contemplar aquela conquista. Parece que não dá tempo. Lá
vem outra demanda. Seguida de outra. E de mais outra. Isso quando as demandas
não acontecem de forma simultânea. E assim vamos vivendo essa vida vazia e sem
sentido. Uma vida que não respeita o seu inerente ciclo. O ciclo da vida.
(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)
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