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[Reflexão] O sentido da vida

 


Não. A vida não tem nenhum sentido. Você nasce, você cresce e você morre. No meio desse caminho você conhece algumas pessoas que passam a fazer morada em seu coração, e elas também crescem e elas também morrem. Tudo acaba. O emprego é perdido. Os cabelos são descoloridos. A força se esvai. E o raciocínio se deteriora. Os interesses deixam de ser interessantes. Nem mesmo o sexo resiste ao passar do tempo. Tudo termina e se corrói. Tudo se esvai e se finda. Então qual é o sentido? Isso porque estamos falando de coisas sutis e costumeiras da existência humana. Mas se formos um pouco mais além somos confrontados com vários outros fatos que nos apontam que a vida não tem nenhum sentido. Guerras e mortes. Violências e ódios. Mentiras e desilusões. Inocentes que são destruídos. Culpados que são inocentados. Roubos e desinformações. O povo feito de ignorante. Então qual é o sentido da existência? Qual é o sentido da vida? Qual é a razão disso aqui? O sol se põe e o sol renasce. E assim é todos os dias. E assim deve ser até o fim do Universo. Então qual é o sentido? Qual é o porquê? Qual é a razão?

A vida, à priori, não tem mesmo nenhum sentido.

Mas quem disse que ela deveria ter?

Porque a vida, como qualquer outra coisa, simplesmente é, simplesmente existe. Então ela não tem nenhum propósito em sua essência. Muito pelo contrário. Ela não tem propósito. E isso não é uma notícia ruim. Claro que não. É uma ótima notícia. É uma notícia que nos tira da inércia e nos coloca em ação. É uma notícia que nos tira da passividade e nos coloca em movimento. É uma notícia que nos faz entender que se a vida, à priori, não tem essência alguma, não tem direção alguma, não tem sentido algum, significa que somos livres para atribuirmos a ela o sentido que nós quisermos. Isso não é libertador? Não é encorajador? Não é inspirador?!

Tudo bem... Talvez eu esteja sendo entusiasta demais porque agora somos confrontados pela ideia de que temos total liberdade para fazermos das nossas vidas o que bem entendermos. O que pode ser assustador. Já que a responsabilidade, pelo que quer que venhamos a construir a partir da nossa liberdade, será inteiramente nossa!

Qual é o sentido que você gostaria que a vida tivesse?

Ele será construído por você.

De maneira que podemos deixar de procurar incansáveis pelo porquê das coisas, pela razão dos fatos, pelo motivo dos acontecimentos. Podemos simplesmente mudar a pergunta para algo que nos ajude a dar um sentido e encontrar um propósito. O porquê não resolve coisa alguma. Mas o para que nos ajuda a compreender qual é o sentido das experiências que enfrentamos. Mesmo as mais cruéis e dolorosas, mesmo as mais impensáveis e indesejáveis. O para que nos ajuda a aceitar a dor, sem nos apegar ao sofrimento. O para que nos ajuda a definir nosso próprio sentido, nossa própria orientação e darmos nós mesmos uma direção às nossas vidas. A vida pode não ter um sentido claro e definido. Isso não quer dizer que não possamos criar o nosso próprio propósito.

Como você fará isso? Ah! Meu querido leitor. Essa é uma pergunta tão complexa e íntima. Porque preciso descobrir minha forma de viver para, então, a partir disso, definir um para que viver. Porque é aí que estará o meu sentido, é aí onde encontrarei o meu propósito. E isso me liberta de amarras ou opressões porque não fico dependente de instruções e regras. Torno-me, de fato, autor da minha história. Porque se nada está dado ou definido, quer dizer que posso descobrir minhas próprias definições. Mas perceba que não é necessário pressa nem afobação. Não precisamos definir um sentido hoje nem amanhã. Talvez o sentido nunca seja definido. Porque não importam aqui definições ou descrições. Importa a experiência. Importa a vivência daquilo que queremos. Você não precisa declarar, talvez nem saiba como fazê-lo, basta que viva a vida que gostaria de viver, a história que adoraria ler.

Podemos, assim, deixar de nos preocupar com o sentido da vida.

 A existência, compartilhou Sartre, precede a essência. Com isso queria dizer que o humano primeiro existe para, então, fazer de si o que quiser. Não temos uma essência e, tal como a vida, não temos, à priori, um propósito. Se nascêssemos com um já teríamos uma essência definida e seria a partir dela que por certo viveríamos. Seríamos como uma cadeira cuja essência precede a existência, uma vez que o marceneiro sabe muito o que quer criar e com qual propósito deseja fazê-lo, a cadeira não tem escolha, tem que ser cadeira, tem que servir ao nosso sentar. Nós não. Existimos, antes de ser. E agora precisamos escolher quem queremos nos tornar, qual propósito queremos adotar, a qual sentido queremos nos dirigir. A escolha é toda nossa. A responsabilidade é absolutamente nossa. Mas antes, basta que existamos e basta que façamos escolhas. Vamos errar, acontece. Vamos cair, faz parte. O importante é o que faremos a partir de cada vivência que viermos a ter. Uns se tornarão em humanos maus e rancorosos. Outros se tornarão em humanos bons e livres. Ninguém é, à priori, bom ou mau, as pessoas escolhem e se constroem todos os dias, a cada ano, enquanto existirem.

 A vida não é boa nem má. A vida é. O adjetivo é por nossa conta!

 (Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)

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