Avançar para o conteúdo principal

[Reflexão] Ressignificar

 

Novos sentidos

Somos atravessados por nossas experiências, não tem jeito... Isso quer dizer que para sempre seremos acompanhados pelas nossas memórias, afinal, elas ajudam a nos compor, a nos dar um sentido, a fortalecer o nosso senso de identidade a nós e aos outros. Mesmo as mais terríveis e dolorosas delas. Não existe um botão que as delete simplesmente. Muitas vezes já ouvi – e até mesmo já pensei – o quanto seria incrível se pudéssemos acessar o nosso sistema interno e simplesmente apagar aquelas lembranças que nos arrancaram lágrimas, que nos causaram raiva e que se tornaram desagradáveis. Só que essa imaginação nunca poderá se transformar em realidade. Até porque não dá para “resetar” a existência. Ela é contínua e sempre prossegue.

 

Mas se não podemos apagar nossas tristes lembranças, como fazer para que não sejamos mais incomodados por elas? Porque às vezes acabamos atrapalhados. Queremos viver algo novo, porém as semelhanças com as experiências antigas nos trazem aquele medo paralisante. E não arriscamos. Desistimos de viver algo incrível porque tememos reviver algo que se tornou repudiável. Isso acontece por não entendermos que se, por um lado, a nós é negado a possibilidade de apagar nossas dores e nossos traumas, por outro, temos total direito de ressignificar nossas histórias ao ponto de olhar para aquilo que tanta dor nos causou e não mais sentir o seu desagrado. Podemos dar às experiências de angústia e desespero um novo lugar para que não sejamos impedidos de prosseguir em nossa caminhada.

 

Ressignificar as experiências é simplesmente dar a elas um novo significado, um novo espaço, uma nova posição dentro de nós e impedi-las de continuarem a nos governar, a influenciar em nossos sentimentos, a impactar em nossas decisões. Ressignificar as experiências pode ser perdoar a nós mesmos pelos erros cometidos, pode ser compreender que tivemos que passar por aquela experiência para aprender algo ou para simplesmente chegarmos onde estamos e hoje termos as oportunidades que nos estão sendo oferecidas. Talvez aquela dor tenha que ter acontecido para que hoje você tivesse a chance de sorrir largamente. Ressignificar as experiências é isso. É entender que as coisas não acontecem pura e simplesmente para nos machucar ou abater. As coisas acontecem. O significado é dado por nós.

 

E ressignificar as experiências abre, dentro de nós, espaço para que em nós o novo se achegue sem que seja contaminado pela visão do antigo que vivemos. É quando não entramos em um relacionamento acreditando que seremos traídos novamente. É quando não entramos no emprego novo acreditando que passaremos pelas mesmas adversidades que nosso chefe anterior nos impunha. É quando deixamos de passar por experiências parecidas com aquelas que angústias nos causaram entendendo que as situações são outras, a realidade é outra, nós mesmos somos outros. Não quer dizer que tropeços não acontecerão ou que estaremos completamente isentos de algumas quedas. Quer dizer apenas que teremos abertura para aquilo que a vida está nos oferecendo. Não procuraremos por padrões nem pistas. Isso porque estaremos mais preocupados em, vivendo o novo, sermos renovados a cada dia! Ressignifique sua história. Ressignifique sua vida!

 

(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)

~~~~~~~~

 Nesta semana, no canal Coisas da Vida, conversamos sobre o clichê do amor. Assista agora mesmo!



Salve o blog no seu navegador e acompanhe novas reflexões sempre às terças e quintas, a partir das 06h da manhã!

 

Saiba mais:

 

Sobre mim

Livros de ficção

Contos

Livros de reflexão

 

Você pode continuar acompanhando minhas reflexões:

 

- Perfil no Instagram (@c.d.vida)

- Página no Facebook (Coisas da Vida)

- Livros gratuitos (clique aqui)

- Ouça, ainda, o podcast Coisas da Vida no Spotify

- E não deixe de conferir o canal Coisas da Vida no YouTube!

 

É sempre um prazer receber a sua atenção!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

[Reflexão] As suas cores

  Acho que a vida seria realmente muito chata se não houvesse música. E eu adoro ouvir as mais diversas. Meu artista favorito é o Michael. E por conta dele acabei conhecendo outros que também são incríveis e extremamente talentosos. Dentre eles, Cyndi Lauper. E há uma música que ela canta que a mim, ao menos, toca de uma forma muito profunda. Fala sobre aceitação. Mais exatamente sobre autoaceitação . Trata-se de “True Colors” que, traduzindo, ficaria como “as cores verdadeiras”. E, embora, ao longo da letra ela fale sobre aceitar as nossas cores, é perfeitamente possível que compreendamos como a aceitação de nossas características, daquelas coisas que nos distinguem das demais pessoas que habitam o planeta, elementos que, por vezes, são difíceis de serem aceitos por nós e acabam, algumas vezes, alienados, rejeitados, desprezados, ignorados. Mas são nossas coisas. São as nossas particularidades. São as coisas que nos permitem ser tão singulares e ímpares em um mundo de bilhões de ...

[Reflexão] Ouvir o cansaço

  A SENSAÇÃO DE ENFADO   Paira sobre tantos de nós a sensação de que a vida é enfadonha. Aquela sensação de arrastamento, de que para seguir em frente é necessário um tipo de esforço em nada estimulante. Não é como quando estamos extremamente engajados num projeto e varamos até mesmo a noite, envolvidos em concretizá-lo. É como se o projeto da vida deixasse de fazer sentido. O que pode guardar, em si, uma importante verdade: por vezes somos ultrajados do nosso próprio sentido, distraídos do nosso próprio propósito, passando, assim, a viver experiências que não dizem respeito aos nossos interesses nem a quem somos. Portanto, vivências sem significado.   Descansamos, mas continuamos cansados. Tudo vai bem, ao menos num nível físico. Conseguimos dormir, alimentamo-nos de forma saudável, até mesmo cumprimos com as obrigações cotidianas. Mas aquela incômoda sensação de vazio, de incertezas, permanece ao nosso lado, pairando sobre os nossos pensamentos, fazendo-nos qu...

[Reflexão] O todo é maior que a soma das partes

  “O todo é maior que a soma das partes” . Essa é uma máxima dentro da Psicologia da Gestalt que, dentre outras, é uma teoria que fornece embasamento à Gestalt-terapia , uma forma de olhar o ser humano é abordá-lo em psicoterapia sobre a qual podemos conversar em outro momento. Aqui, o que nos interessa é o significado dessa expressão que, a princípio, pode parecer confusa ou difícil de compreender, mas que, após alguns instantes de assimilação e entendimento, pode nos ajudar a encarar a vida por outros olhos, com perspectivas novas que nos façam valorizar, apreciar e até mesmo agradecer por cada parte que nos compõem.   Um exemplo bem simples – e até mesmo clichê – para que possamos compreender essa verdade é a do bolo , uma totalidade que vai para além dos ingredientes que o constroem . Isso porque não basta que agrupemos a margarina, os ovos, a farinha de trigo, o fermento, o leite e o açúcar. Não basta uma simples e limitada somatória dessas partes. Não teremos um bolo. T...