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[Série Verdades Necessárias] Abertura ao surpreendente

 


Se há uma dor compartilhada por tantos de nós é aquela resultante da culpa por não cumprirmos com expectativas. Por vezes olhamos para nós e percebemos que não somos nada daquilo que a nós desenharam. Não nos tornamos advogados, como sonhado por nossos avós. Nem mesmo entramos na faculdade de medicina, como idealizado por nossos pais. Ou não nos transformarmos naqueles acadêmicos promissores como nossos professores um dia “profetizaram”. E vem o fardo. Será que não somos o bastante? Pois parece que estamos aquém daquilo que por nós sonharam. Ou, então, quando seguimos por outros caminhos, arriscando-nos no universo da Arte ao invés de nadarmos pelas águas do Direito, bate a sensação de termos sido egoístas por, ao invés de validarmos as expectativas alheias, termos priorizado aquilo que fazia nosso coração palpitar.

 

Não... Não somos egoístas quando decidimos dar concretude aos sonhos que foram sonhados por nossas mentes dotadas do direito de imaginar, da capacidade de idealizar! Não somos egoístas quando, ao invés de cumprirmos sonhos que foram sonhados antes mesmo de por aqui estarmos, fazermos valer aqueles desejos que nos encantam, que enchem os nossos olhos e que, a partir deles, nos fazem acreditar que a vida vale a pena. Acho que somos egoístas quando queremos o amor dos outros a tal ponto que abrimos mão de nós mesmos. Aí talvez estejamos cometendo um grave equívoco. Pois, quem realmente nos admira e aceita, continuará admirando e aceitando sigamos pelo caminho que for – não verão a escolha, mas o entusiasmo, a determinação e a coragem por fazer acontecer!

 

Para além de por vezes sentir as dores de frustrar ao mundo, também nos angustiamos quando nossas próprias expectativas acabam sendo frustradas. Como alguém que, quando mais novo, sonhava que aos vinte anos conquistaria uma casa, com um carro na garagem... Só que o tempo passa, a vida segue seu curso de formas inimagináveis, os vinte anos chegam e trazem com eles a noção de que aquelas expectativas pareciam altivas demais... Bate a sensação de fracasso, de insuficiência, de incapacidade. Idealizamos tanto, imaginamos tanto, criamos uma meta para nós e nos projetamos de determinadas maneiras que, ao passar do tempo, parecem se esfumaçar diante de suas irrealizações. Culpamo-nos. Diminuímo-nos. Duvidamos de nós mesmos.

 

Talvez essa seja uma das mais difíceis dores quando se trata de frustrar expectativas. Pois aqui sentimos que a responsabilidade é nossa – como de fato o é. Ninguém nos prometeu coisa alguma. Nós que idealizamos com tanto afinco. Nós que sentíamos que éramos mesmo capazes.

 

Mas nós também ignoramos, sobretudo quando na construção dos tais planos, projetos e propósitos, que não temos controle algum sobre a vida. Posso planejar uma viagem, pensar no que preciso levar, nas rodovias pelas quais terei que transitar, o tempo que levarei para chegar ao meu destino. No entanto, não posso prever que acidentes causem congestionamentos, ou que tempestades me obriguem a desacelerar e, assim, o tempo que planejei, ou o trajeto que determinei, sejam alterados independente da minha vontade e do meu controle... O que quero dizer que é que, ao sonharmos tantos sonhamos, nem sempre consideramos que os ventos da vida poderão nos soprar para direções que não imaginamos. E isso não escolhemos.

 

Mais importante que atender expectativas ou realizar, meticulosamente, sonhos que, com o tempo, podem perder o sentido, é estarmos atentos ao que nos é possível no momento presente. Talvez não queiramos ser advogados ou médicos, e talvez ainda não pudemos conquistar nossa casa e nosso carro. Mas estamos aqui, não estamos? Não posso garantir que conquistaremos cada um de nossos objetivos. Nem mesmo posso dizer em quanto tempo isso se dará ou não. Posso apenas sugerir para que estejamos presentes no nosso presente, em contato com a vida, em conexão com o nosso existir. Há coisas sendo oferecidas. Há coisas disponíveis! Mas só as perceberemos se, ao invés de afogados em lamentações por aquilo que não foi, estivermos abertos àquilo que poderá, surpreendentemente, ser!

 (Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)

Eu agradeço profundamente a cada um que passou por aqui durante essa semana acompanhando à série Verdades Necessárias. Espero que as reflexões que procurei proporcionar tenham servido de inspiração para que novas ideias nasçam em seu coração e, quem sabe, caminhos mais leves e saudáveis sejam construídos em sua vida!

Mas não pense que as reflexões acabaram... A série Verdades Necessárias se transformou em um ebook feito com muito cuidado e carinho, mas com um importante diferencial. Além dos textos que foram publicados ao longo dessa semana, você terá a sugestão de exercícios reflexivos ao final de cada um. Esses exercícios poderão ser respondidos através da escrita, se você assim desejar. Ou simplesmente poderão servir como um norte aos seus meditativos pensamentos. Seja qual for o caminho escolhido por você, o propósito é apenas um: ajudá-lo a sair das palavras e ir para a vida! Cada questionário o incentivará a olhar para dentro e, inspirando-nos no que Jung já dizia, despertá-lo para a sua história.

O eBook já está disponível e você pode adquiri-lo clicando aqui! Caso ele não apareça no e-mail cadastrado na hora da compra, basta entrar em contato comigo pelo Instagram, no perfil @c.d.vida, enviar o comprovante de pagamento e o seu endereço de e-mail para que eu mesmo possa enviar seu exemplar. Peço que siga o perfil, caso não seja um seguidor, para que sua mensagem seja recebida mais facilmente.

Porém, para os seguidores do perfil Coisas da Vida no Instagram haverá uma promoção especial! Todos aqueles que inscreverem seu e-mail na caixinha de respostas em um story lançado no sábado (amanhã, 05/07), e forem seguidores do perfil, terão acesso gratuito ao eBook. Mas a partir de hoje, através do direct, você já pode conseguir o seu exemplar, basta ser um seguidor do perfil e enviar por lá o seu e-mail!

Agradeço pela atenção!

E que venham novas reflexões!

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