Muito
se fala sobre o quanto o amor pode ser umas das melhores experiências na vida
de uma pessoa. E, de fato, já dizia Oscar Wilde que “a consciência de
amar e ser amado traz um conforto e riqueza à vida que nada mais consegue
trazer”. Então é claro que o amor possui os seus encantos, as suas
belezas e fascinações. Isso quando ele é vivido de uma forma serena, saudável e
respeitosa, sem aprisionar ou oprimir sob o manto do cuidado – quando, em
sua essência, assume a forma do controle e da cobrança. Pois, pouco se
fala sobre o amor que dói, o amor que machuca, o amor que, na realidade, não se
trata mesmo de amor.
Em
certos relacionamentos, disfarçados de cuidado, estão os gestos de controle, de
posse, de medo. Há aquele que, de maneira distorcida, espera do outro coisas
que, na realidade, são de sua responsabilidade, ou mesmo coisas que fogem da
realidade. Um exemplo bem simples pode ser o de alguém que, do nada,
comenta com aquele com quem busca compartilhar a vida algo como “o resultado
dos meus exames no laboratório ficou pronto”. Só que, por trás de tal
comentário, existe um pedido velado, uma expectativa silenciosa, a de que o
outro se ofereça para, no dia seguinte, pegar os tais exames. Mas o outro,
vivendo sua própria vida e lidando com suas próprias questões, não se atenta a
isso – nem deveria, uma vez que não é dotado do dom da adivinhação. E,
então, aquele que esperava algo, sem verbalizá-lo de fato, sente-se invalidado
em suas necessidades, não visto em seus desejos. Não é que seja invalidado
ou que não seja visto, apenas não percebe que seus pedidos são sempre indiretos
e camuflados, ao passo que a objetividade seria muito mais eficaz no diálogo.
É
o típico “faço tanto, mas não fazem por mim”. Algo que adoece as
relações e prejudica os amores. Pois, em muitos casos, aquele que tanto faz
parte da premissa de que precisa fazer aos outros aquilo que gostaria que lhe
fizessem – sem ter que pedir, pois, também parte do princípio de que não
precisam esperar para que lhe peçam. Mas essa não é uma atitude madura.
Está muito mais para infantil. Já que, quando somos ainda crianças, mal sabendo
formular palavras, é mais do que necessário que nossos cuidadores, atentos às
nossas mais básicas necessidades, façam coisas por nós sem que precisemos
listá-las. Acontece que não somos mais aqueles bebês sem a capacidade de
falar. Somos já grandinhos e alfabetizados. Temos total condição de, olhando no
olho do outro, sermos claros quanto aquilo que dele esperamos.
E,
além disso, muitos fazem coisas que nem mesmo foram pedidas. Essa ideia
de que “faço tanto...” precisa ser confrontada pela pergunta: “mas
quem foi que pediu?”, por mais áspera que ela pareça. Não que surpresas
como café na cama, por exemplo, devam ser excluídas de nossas vidas – afinal,
surpresas, por definição, partem da falta do pedido. No entanto, como
saberemos se isso é algo que ao outro agrada? Pois podemos lhe demonstrar tal
gesto, acreditando piamente que aquilo lhe fará sentido, ao passo que café na
cama pode ser o seu maior pesadelo. Coisas que descobrimos a partir do
diálogo, da conversa, da entrada no universo um do outro, para que então
descubramos e reconheçamos gostos e desejos e, assim, conectados, sejamos
capazes de nos surpreender! O erro está em partir do que nós achamos que
seria legal – porque isso é nosso. E o outro não é obrigado a corresponder aos
mesmos desejos que aqueles que possuímos...
No
entanto, reflita... O que é que o impulsiona a ser tão solícito ao ponto de,
em certos casos, até mesmo desconsiderar as necessidades daquele que está ao
seu lado, sufocando-o? É a sensação de que poderá ser rejeitado?
Abandonado? É o medo de uma possível solidão? Da falta de companhia? Fantasias
que, concordo, podem ser angustiantes. Mas ainda assim são fantasias. Permita-se
reconhecer em suas atitudes e compreenda se elas não estão sendo exageradas, ao
ponto de tirar do outro a liberdade de ser como é. E, então, aprofunde-se
em suas motivações para agir com excessos. Gabriel Garcia Márquez escreveu que “nem
o amor é uma gaiola, nem a liberdade é estar sozinho. O amor é liberdade de
voar acompanhado. É deixar ser sem possuir”.
Por
fim, sem me estender ainda mais e deixando espaço para futuras reflexões, aquele
que recebe o amor, o acolhimento, a solicitude de alguém precisa refletir se
sabe reconhecer a boa vontade daquele que, sem forçar ou sufocar, procura
apenas agradar. Muitos, tendo um genuíno amor em mãos, não conseguem
mantê-lo por não saberem nutri-lo. E, quando se dão conta, percebem que por
entre os dedos esvaiu aquilo que aquecia suas almas – percepção que só se dá
na falta daquilo que um dia esteve presente, mas não foi reconhecido em seu
valor. Reflita se essa tem sido a sua postura, antes que aquele se
canse e passe a oferecer suas flores para quem realmente saberá apreciá-las...
(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)
AMANHÃ: Na reflexão de amanhã, dando sequência à série Verdades Necessárias, conversaremos sobre o que pode estar por trás da postura de muitas pessoas que demonstram uma força constante e inabalável! Não se esqueça de que a série também está disponível no perfil no Instagram e na página no Facebook do blog Coisas da Vida! Eu espero por você!
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