As
redes sociais possuem seus encantos. Afinal, é através delas que consigo
compartilhar meus pensamentos com uma infinidade de pessoas. E também é por
elas que consigo ter acesso a uma diversidade de conteúdos que agregam à minha
vida e minhas particulares reflexões. No entanto, essas mesmas redes
sociais, quando usadas de forma não consciente ou sem qualquer crítica, podem
trazer consequências sérias. Desde dificuldades para se concentrar, dados
os inúmeros e incessantes estímulos que pulverizam a nossa atenção, até à ânsia
por curtidas, comentários, compartilhamentos... como se a relevância de
nossas vidas e de nossas histórias pudesse ser medida por números que não dão
conta da complexidade que é a existência humana.
E
uma das consequências, dentre todas elas, está a ampliação do processo de
comparação. A comparação sempre existiu – e acredito que para sempre
existirá. Ela é até mesmo incentivada, infelizmente. Seja dentro da sala de
aula, quando os próprios professores elegem os alunos exemplares e os usam como
um modelo a ser seguido pelos demais; seja dentro das famílias quando, os pais,
talvez de forma inconsciente, fomentam competições entre seus filhos através de
uma comparação velada. Quero dizer com isso que a tendência à comparação não
se deu a partir do surgimento das redes, mas com certeza se potencializou com
elas.
Basta
dar um simples passeio pelos posts, pelos perfis, pelas mais diversas contas e
iremos esbarrar em publicações com pessoas sorridentes, felizes, encantadoras,
cheias de conquistas, esbanjando contentamento e realização. Automaticamente,
quando não temos a plena consciência de que aquilo não passa de um recorte,
refletimos sobre as nossas vidas, as nossas conquistas e as nossas realizações.
Parece que precisamos nos esforçar mais, correr mais atrás, intensificar a
nossa diária batalha para que, assim, tenhamos condições de experiências
semelhantes. Talvez nem queiramos publicar, postar, mas queremos ao menos ter a
sensação de que fomos capazes de viver aquilo que, acreditamos, é a realidade
alheia.
Só
que isso nem sempre é verdade.
Além
de muito o que é retratado ser distorcido ou recortado, precisamos considerar
que, para além de Instagram, Facebook ou seja lá o que viermos a usar, cada
vida é única e singular. Gosto de escrever, e talvez eu queira me tornar um
escritor famoso. Suponhamos que eu consiga, e chegue ao pódio. Seria justo com
você, um grande apreciador da leitura, mas que está sempre distante da escrita,
embora delicie-se com pincéis e tintas, que eu fosse como uma métrica às suas
conquistas e ao seu sucesso? Tenho plena convicção de que não. Porque somos
diferentes, nossas existências em muito diferem e nossos gostos se distanciam.
Talvez eu possa lhe ser uma inspiração, assim como você pode inspirar a mim.
Mas, de maneira alguma, podemos comparar nossas satisfações na vida, pois
o que me satisfaz pode ser que o entedie...
Existe
um clichê de que deveríamos nos comparar conosco mesmos para que fôssemos o
nosso melhor a cada dia. Isso tem um certo sentido. Mas, para além disso,
que possamos primeiramente nos questionar acerca daquilo que a nós possui
propósito. Por vezes ficamos encantados e ludibriados com aquelas vidas “instagramáveis”,
imaginando que talvez quiséssemos viver algo como aquilo. Mas será que nos
cabe? Será que, à nossa forma de ver o mundo e compreender a vida, aquilo
possui espaço? E será que aquele que parece tão feliz e realizado o é
realmente? Não tem como saber. Essa é uma percepção individual. Só você
poderá dizer com plena certeza se a sua vida o satisfaz, por mais admirada que
ela seja por alguém. Portanto, concentre-se na história que suas mãos podem
criar. E seja o melhor que puder ser enquanto isso lhe fizer sentido. Talvez
eu queira ser o escritor best-seller, ou talvez eu queira ser o escritor que
escreve para satisfazer a própria alma. Nenhum dos dois é melhor ou pior. O
que importa é qual deles faz sentido a mim.
O
que faz sentido a você?
(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)
AMANHÃ: Na reflexão de amanhã, dando sequência à série Verdades Necessárias, conversaremos sobre quando o amor pode ser a causa de grande dor! Não se esqueça de que a série também está disponível no perfil no Instagram e na página no Facebook do blog Coisas da Vida! Eu espero por você!
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