Escolhas não
podem ser vistas como sentenças.
Sentenças, geralmente, apontam para uma determinação, uma condenação, algo que
deverá irremediavelmente ser concretizado. É como alguém que, depois de cometer
um crime, acaba sentenciado a anos de prisão. Na teoria, ele terá que cumprir
sua pena sem a possibilidade de escolher outra coisa. Agora, sobre as escolhas
que fazemos em nosso cotidiano, parece que as vemos exatamente como sentenças
que nos definem pelo restante de nossos dias. É como se devêssemos passar a viver apenas a partir delas, desconsiderando
que a vida muda, o contexto muda, nós mesmos mudamos, e aquilo que um dia foi a
melhor escolha que pudemos fazer, talvez agora se revele como a pior escolha
que podemos manter.
Isso porque o tempo passa. Como já conversamos
diversas vezes, o tempo sempre passa. E com o passar do tempo nós também
amadurecemos, crescemos, adquirimos conhecimentos que outrora nos eram
inacessíveis, conhecimentos que talvez só pudessem ser assimilados exatamente
através do fluir da vida. De maneira que o que sabemos hoje não sabíamos lá
atrás, quando escolhemos algo, quando, dentre tantas, optamos por aquela direção.
Uma direção que não pode ser imutável. Uma direção que não precisa ser eterna.
Uma direção que fará sentido enquanto for o seu tempo de fazer sentido. Não dá para nos condenarmos por escolhas
que fizemos quando a imaturidade era quem nos governava. Não dá para nos
limitarmos por escolhas que realizamos quando a vida não era contemplada como
agora o é.
Às vezes nos aprisionamos a situações, a pessoas e a
contextos que já não fazem o menor sentido apenas porque achamos que precisamos
mantê-las para sempre conosco, mesmo que nos causem dor e sofrimento, mesmo que
já não façam sentido nem tenham propósito, mesmo que consigamos compreender que
estivemos enganados e não fomos tão certeiros quanto gostaríamos em nosso ato
de escolher. E, assim, acabamos nos
condenando a uma realidade apática e vazia. Isso porque não conseguimos nos
retirar de posições que agora estão obsoletas para a verdade que possuímos.
Isso porque insistimos em nos manter naqueles lugares desconfortáveis para quem
agora estamos sendo. Não arriscamos. Não movemos um dedo. Talvez sintamos
medo de magoar e frustrar, talvez sintamos medo de ter que recomeçar sem saber
no que vai dar. E ignoramos que uma certeza já temos: se tudo continuar como tem sido permaneceremos sufocados nesse vazio
melancólico que torna tudo nublado e cinzento, tudo distante e distorcido.
Talvez tenha chegado o momento de balançar a árvore
para que os frutos sem serventia dela despenquem e deem espaço para que novos,
melhores, mais bonitos e nutritivos possam nascer. Não tenho como afirmar que
não será desconfortável. Nem posso garantir que ninguém se oporá ao seu
movimento. Sei apenas que permanecer em
inércia não mudará coisa alguma, os anos passarão e continuaremos lamentando
por desconfortos de décadas passadas. Não se condene pelas suas escolhas.
Foram feitas em certos momentos da sua vida nos quais aquele foi o melhor que
você conseguia fazer. Agora você é outro. Pode ser que tenha desenvolvido e
adquirido recursos muito mais sofisticados. Use-os com sabedoria. Enfrente o
desconforto de se mexer. Antes da cura o
remédio dói ou amarga nosso paladar. Antes da cura sofremos um pouquinho mais.
Mas depois da cura... Depois da cura é como se nem mesmo nos lembrássemos dos
prantos que nos envolviam.
(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)
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