Vivemos na correria. Parece que o mundo tem
funcionado assim. Aliás, parece que quanto mais coisas você tiver a fazer, mais
estará sendo útil ao mundo. O que é ilusão. Vivemos nessa era de ansiedade e produtividade que nos faz desrespeitar
a nossa própria condição. Até que a vida nos impõe uma parada. É quando
adoecemos, por exemplo, ou quando acontece algo que não podemos simplesmente
ignorar porque é maior que nós, grita mais alto e nos obriga a lhe dar atenção.
Não deveria ser assim. Não deveríamos ter que chegar aos extremos para dar aquelas
necessárias paradas que nos ajudariam a recuperar o fôlego. Pelo contrário. É importante que tenhamos consciência
acerca de nossas condições e saibamos reconhecer quando não podemos continuar.
“Quando sentir que precisa parar, pare, respire
fundo, olhe para o céu, o sol está lá, brilhando para você, mostrando que a
vida é feita de ciclos, de recomeços, e todo dia tem um novo amanhecer” (Edgard
Abbehusen)
A impressão é que se pararmos, perderemos coisas. Mas não nos damos conta de que é exatamente
por não pararmos que podemos perder tudo. Não somos máquinas. Somos
humanos. Humanos que precisam parar, humanos que não são insuperáveis, humanos
que perdem energia e, então, precisam recuperá-la. Conversamos recentemente
que, como partes da natureza, precisamos respeitar o tempo das coisas. Hoje
quero trazer outra constatação. A
natureza sempre se reinicia. O dia renasce. As águas de uma cachoeira se
renovam. E as folhas de uma árvore caem dando lugar a outras. Somos partes
da natureza. Também teremos os nossos próprios ciclos. E lutar contra isso só nos
enfada e frustra. Isso porque o sol vai
ir embora e as folhas vão cair. Se ficarmos lamentando por isso, praguejando
contra a vida, perderemos de contemplar o renascer do sol e não perceberemos
quando novas folhas ornamentarem aquela bonita árvore.
Não se desespere. Nem viva afobado. Certos recomeços
são necessários. Alguns ciclos precisam se findar. Os dias precisam terminar
para que novos nos surpreendam. O outono precisa imperar para que, na
primavera, as flores sejam outras e estejam mais bonitas. Nós também precisamos passar por paradas que reparem aquilo que foi
desgastado. É quando paramos que temos a chance de perceber se o caminho
trilhado ainda faz sentido. É quando
paramos que podemos descobrir que algo precisa mudar, precisa ser diferente.
É quando paramos que temos a chance de entender de onde vem nosso tédio e nosso
marasmo. É quando paramos que temos a
oportunidade de rever as direções de nossas vidas e, assim, optar por
permanecer no caminho no qual estamos ou arriscar novos porque chegou o momento
de desbravar paisagens melhores!
Saia do automático.
Pare.
(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)
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