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[Reflexão] Seguir em paz

 


Não somos feitos de ferro, portanto, possuímos sentimentos. E esses sentimentos às vezes acabam feridos. Alguém nos fere. Como nós também podemos acabar ferindo. Alguns ferimentos são sutis, logo cicatrizam, logo a dor passa e logo nos esquecemos. Outros são profundos, causam sangramento, demoram a se curar. Se alguns são esquecidos, outros deixam marcas profundas, amargas e angustiantes. E são esses que, muitas vezes, nos impedem de seguir em frente. Ficamos com medo, preocupados, em alerta para evitarmos que incômodos como aqueles tornem a se repetir. Evitamos a vida muitas vezes. Isso porque temos a perfeita compreensão de que uma vez vivendo, estaremos sempre correndo o risco de sermos feridos novamente. Apesar que parados, corremos o risco de uma vida pacata e infeliz. A questão é que precisamos ser capazes de perdoar o nosso passado para que tenhamos acesso ao nosso futuro, compreendendo que perdoar o passado não significa voltar para ele.

 

“Nem sempre um eu perdoo você significa seja bem-vindo de volta. Perdoar é apenas uma forma de se desprender do passado e seguir em paz. Sem remoer lembranças ou ficar tentando entender o que houve” (Pâmela Marques)

 

Em muitos casos, quando sofremos os ferimentos profundos, ficamos aprisionados a tal evento tentando compreendê-lo, tentando encontrar suas razões, tentando adivinhar como é que foram capazes de nos machucar como o fizeram. Enquanto isso, enquanto ficamos obcecados em torno daquele ferimento, a vida continua passando sem que passemos junto a ela. Os fatos se repetem em nossa mente. E as dúvidas ganham cada vez mais volume. Ficamos impacientes, podemos até mesmo adoecer, tudo porque estamos aprisionados a um passado de dor. O perdão, então, surge como uma forma de nos libertarmos dele, de fazermos às pazes com o que aconteceu e não conseguimos mudar, de nos darmos uma nova chance rumo ao porvir.

 

Conceder o perdão não é o mesmo que abrir as portas de nossas vidas para quem quer que seja. A menos que seja o nosso desejo. E, se o fizermos, deveremos estar plenamente conscientes da nossa escolha para que resquícios do que foi não influenciem no que poderá ser. No entanto, se não for do nosso desejo, conceder o perdão não nos obriga e acolher novamente quem um dia teve nas mãos o nosso coração e não soube protegê-lo. É só uma forma de nos conciliarmos com a nossa própria história. É só uma maneira de facilitarmos o processo da cura. É só uma decisão que tomamos, quando capazes disso, para deixarmos o passado em seu devido lugar e assim, cicatrizados, permitirmo-nos a um futuro de possibilidades. Em resumo, o perdão não é necessariamente para quem é perdoado se sentir melhor, afinal, nem sempre ele pedirá para sê-lo. O perdão é quando, mesmo sem nenhum pedido, somos capazes de, ainda que em segredo, olhar para o que aconteceu sem mais a amargura que ele nos causou. O perdão é para que nós nos concedamos o direito de uma nova vida. O perdão é o caminho para a nossa liberdade. Perdoe. Perdoe-se.

 

(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)





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