Avançar para o conteúdo principal

[Reflexão] A imagem sustentada

 


Às vezes sofremos para manter determinada imagem a nosso respeito. Mas não se trata da imagem que nós temos sobre nós mesmos, pelo contrário. Trata-se da imagem que queremos sustentar perante as demais pessoas. E, em nome disso, acabamos nos submetendo a difíceis situações que nos desgastam, desumanizam, invalidam nossos sentimentos, negligenciam nossas necessidades e colocam em risco a nossa dignidade. Tudo porque queremos ser vistos como a pessoa competente, a pessoa forte, a pessoa que dá conta, a pessoa que realiza, a pessoa que não precisa de ajuda, a pessoa que tem a solução para todos os problemas.

 

Temos os nossos motivos para procurar sustentar essa imagem. E eles podem ser variados. Entendê-los pode nos ajudar a compreender como se sustentam em nossas vidas, mas pouco resolve. Isso porque fazer diferente passa por entendermos, nós mesmos, que o que verdadeiramente importa na vida não é o que pensam ou deixam de pensar a nosso respeito, mas o que nós sabemos que somos, sentimos e sofremos. E isso se justifica pela noção de que sempre há um preço a se pagar nessa busca por manter determinadas imagens diante de várias pessoas. E talvez elas nos vejam como extremamente competentes e fortes, mas nós, em nosso íntimo, temos total compreensão do fato de que para sustentar essa aparência estamos nos sentindo esmagados pelas demandas do mundo. Só que piora. E piora porque o tempo passa. Ah, o tempo... Ele sempre passa! E aquelas pessoas se esquecerão da nossa existência e com isso aquela imagem que tão ferrenhamente tentávamos sustentar, simplesmente esfumaça.

 

Assim, é improdutivo desrespeitar os próprios limites porque algo que não é garantido.

 

De que importa o que pensam a nosso respeito? De que importa o que as pessoas acharão de nós? Essas pessoas nos acompanharão para sempre? Seremos lembrados por elas eternamente? E, indo mais além, enquanto nos desrespeitamos e deixamos de lado a nossa vida a fim de sustentar certas opiniões, quem é que está vivendo por nós? Quem é que está caminhando o nosso caminho? Quem é que está sentindo as nossas dores? E quem é que está curando as nossas feridas? Será que vale mesmo à pena? Não é mais vantajoso aproximarmo-nos de nós mesmos, de nossas potencialidades, de nossas limitações, reconhecendo-nos e vivendo a partir desse reconhecimento? O tempo passa... O tempo sempre passa... E a única coisa que permanecerá conosco até o nosso último segundo será nossa própria companhia... Qual é a imagem que queremos ter de nós mesmos?



 


~~~~~~~~

 

Salve o blog no seu navegador e acompanhe novas reflexões às terças e quintas a partir das 06h da manhã!

 

Conheça alguns serviços:

 

Serviço de Psicoterapia Online ou Presencial

Consultoria em Psicologia

Encomenda de Textos Personalizados

 

Você pode continuar acompanhando minhas reflexões:

 

- Perfil no Instagram (@c.d.vida)

- Página no Facebook (Coisas da Vida)

- Livros gratuitos (clique aqui)

- Ouça, ainda, o podcast Coisas da Vida no Spotify

- E não deixe de conferir o canal Coisas da Vida no YouTube!

 

É sempre um prazer receber a sua atenção!

 

 


Comentários

Mensagens populares deste blogue

[Reflexão] As suas cores

  Acho que a vida seria realmente muito chata se não houvesse música. E eu adoro ouvir as mais diversas. Meu artista favorito é o Michael. E por conta dele acabei conhecendo outros que também são incríveis e extremamente talentosos. Dentre eles, Cyndi Lauper. E há uma música que ela canta que a mim, ao menos, toca de uma forma muito profunda. Fala sobre aceitação. Mais exatamente sobre autoaceitação . Trata-se de “True Colors” que, traduzindo, ficaria como “as cores verdadeiras”. E, embora, ao longo da letra ela fale sobre aceitar as nossas cores, é perfeitamente possível que compreendamos como a aceitação de nossas características, daquelas coisas que nos distinguem das demais pessoas que habitam o planeta, elementos que, por vezes, são difíceis de serem aceitos por nós e acabam, algumas vezes, alienados, rejeitados, desprezados, ignorados. Mas são nossas coisas. São as nossas particularidades. São as coisas que nos permitem ser tão singulares e ímpares em um mundo de bilhões de ...

[Reflexão] Ouvir o cansaço

  A SENSAÇÃO DE ENFADO   Paira sobre tantos de nós a sensação de que a vida é enfadonha. Aquela sensação de arrastamento, de que para seguir em frente é necessário um tipo de esforço em nada estimulante. Não é como quando estamos extremamente engajados num projeto e varamos até mesmo a noite, envolvidos em concretizá-lo. É como se o projeto da vida deixasse de fazer sentido. O que pode guardar, em si, uma importante verdade: por vezes somos ultrajados do nosso próprio sentido, distraídos do nosso próprio propósito, passando, assim, a viver experiências que não dizem respeito aos nossos interesses nem a quem somos. Portanto, vivências sem significado.   Descansamos, mas continuamos cansados. Tudo vai bem, ao menos num nível físico. Conseguimos dormir, alimentamo-nos de forma saudável, até mesmo cumprimos com as obrigações cotidianas. Mas aquela incômoda sensação de vazio, de incertezas, permanece ao nosso lado, pairando sobre os nossos pensamentos, fazendo-nos qu...

[Reflexão] O todo é maior que a soma das partes

  “O todo é maior que a soma das partes” . Essa é uma máxima dentro da Psicologia da Gestalt que, dentre outras, é uma teoria que fornece embasamento à Gestalt-terapia , uma forma de olhar o ser humano é abordá-lo em psicoterapia sobre a qual podemos conversar em outro momento. Aqui, o que nos interessa é o significado dessa expressão que, a princípio, pode parecer confusa ou difícil de compreender, mas que, após alguns instantes de assimilação e entendimento, pode nos ajudar a encarar a vida por outros olhos, com perspectivas novas que nos façam valorizar, apreciar e até mesmo agradecer por cada parte que nos compõem.   Um exemplo bem simples – e até mesmo clichê – para que possamos compreender essa verdade é a do bolo , uma totalidade que vai para além dos ingredientes que o constroem . Isso porque não basta que agrupemos a margarina, os ovos, a farinha de trigo, o fermento, o leite e o açúcar. Não basta uma simples e limitada somatória dessas partes. Não teremos um bolo. T...