Penso que na vida há coisas que possuem preço e há
coisas que possuem valor. Aquilo que tem preço é conquistado pelo dinheiro e
pode ser recuperado, quando perdido, da mesma forma. Quanto àquilo que possui valor, entretanto, não há nada que o dinheiro
possa fazer, isso porque são coisas que, de tão valiosas, a nós são entregues
de graça, pois não são coisas a serem conquistadas, mas coisas a serem vividas
como parte da nossa história. Uma casa tem preço. E, com o tempo, talvez
ela se torne, às nossas necessidades, insuficiente. Podemos vendê-la, ou
alugá-la. E com esse dinheiro podemos comprar outra. O amor tem valor. Podemos
ser milionários, melhor, podemos ser a pessoa mais rica do mundo, mas se não
formos sensíveis o bastante jamais viveremos o verdadeiro amor, ele é gratuito,
porém só está disponível para quem a ele se disponibiliza.
Há algo na vida que eu penso que seja a coisa mais
valiosa de todas, ou ao menos está na lista das mais valiosas... E essa coisa é
o tempo. Aquele do relógio. Aquele que está sempre passando a cada segundo. E tenho-o como o de que mais valioso
possuímos por entender que ele é irrecuperável. Assim como o amor. Se
perdermos o amor de alguém, por exemplo, ainda que passemos a ser amados por
outra pessoa, o amor perdido jamais será revivido da forma como um dia o
vivemos, o que talvez nos deixe com uma eterna saudade. O tempo que passou, da
mesma forma, nunca mais se repetirá. Não tem como. Não existe essa de “recuperar o tempo perdido”. É impossível. Se
nosso destino for viver até os cinquenta anos e, de alguma forma, tivermos
desperdiçado todos os primeiros trinta, sinto muito, não os recuperaremos, é
impossível viver trinta anos em vinte, ainda assim partiremos aos cinquenta,
pois o tempo é irrecuperável.
Essa falta de noção sobre o tempo nos leva aos mais
variados e prejudiciais equívocos, escolhas malfeitas que nos fazem perder
aquilo que de tão valioso temos em nossas mãos. Caso contrário, caso compreendêssemos que o tempo é
irrecuperável, refletiríamos bem antes de decidir para quem ou para quais
coisas concederíamos o nosso tempo. Quando pensamos em dinheiro ponderamos
sobre nossos gastos. Se, por exemplo, fazemos o orçamento para o aniversário de
quinze anos da nossa filha com alguém que não nos convenceu da qualidade de seu
serviço, agradecemos e procuramos outra pessoa, afinal, queremos preservar o
nosso dinheiro. Por que não agimos da mesma forma com o nosso tempo? Ele é valioso demais para que seja entregue
a coisas banais, a conversas sem sentido, a falatórios que em nada agregam, a
fofocas e picuinhas que apenas nos atrasam. Precisamos de sabedoria para
decidir aonde investir o que de mais valioso possuímos: um tempo que nunca
poderemos recuperar.
Por fim, mas ainda assim longe de encerrar a
discussão, não caia na falácia de “recuperar o tempo perdido”, principalmente
ao se reconciliar com alguém especial de quem por algum tempo acabou afastado. Vocês não serão capazes de recuperar o
passado. Tratem de focar no presente e no tempo que ainda lhes resta. O que
foi, já era. Mas o que virá pode ser o melhor que poderiam viver. Entreguem-se
a esse tempo. E se dediquem a ele inteiramente. Não permitam que coisas fúteis,
banais e pequenas os façam desperdiçar aquilo que o ouro não é capaz de
comprar. O tempo é de graça porque é
impagável. Desperdiçá-lo pode ter o custo de uma vida.
(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)
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