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[Reflexão] Deixe fluir

 


Uma hora o que antes fazia tanto sentido e a nós era tão encantador, perde o seu brilho. Nem com tudo acontece dessa forma. Há experiências em nossas vidas que são revivificadas a cada instante. Como os sentimentos que nutrimos por alguém que amamos. Eles se renovam e se restauram, isso porque há algo maior e genuíno que nos conecta àquela pessoa: o laço do amor que envolve nossas almas e conecta nossos corações. Há experiências, entretanto, que, com o tempo, perdem o sentido. Como certos sonhos, ou certas relações, ou certos lugares que ocupamos. Deram o que tinham a dar. Cumpriram com a sua missão. É hora de abrir espaço para que as novidades da vida nos surpreendam!

 

“Deixe certas janelas fechadas. Não por teimosia ou rancor, mas porque já não mostram novas paisagens” (Darlene Lidi)

 

Esse pensamento serve ainda para refletirmos sobre o quanto, em certos momentos de nossas vidas, aprisionamo-nos a alguém esperando dele algo que não irá acontecer e só recebemos o previsível, o costumeiro, aquilo que se tornou tediosa e até dolorosamente conhecido. Nesse momento, é hora de seguir em frente. Por mais que seja desconfortável. Isso porque o futuro, sobretudo o desconhecido, assusta. É até por isso que por vezes ficamos tão aprisionados no porvir, ruminando sobre as coisas serão, tentando ter algum controle sobre o desenrolar de nossas histórias e afogados em um tormento de ansiedade. Mas, veja bem, evitando o medo do desconhecido acabamos entregues ao desconforto do familiar que deixou de nos nutrir, que deixou de nos encantar e, assim, de qualquer forma, seja seguindo em frente ou estagnado em nossos lugares, acabamos sofrendo. A diferença é que, ao seguir em frente, permitimo-nos às novidades enquanto que, aprisionados, acabamos privados das infinitas possibilidades existenciais que nos cercam.

 

Que paisagem deixou de ser atrativa? Que horizonte deixou de ser encantador? Que cenário já não tem nada a oferecer? Que enredo se tornou previsível? Talvez tenha chegado o momento de abrir mão do que, um dia, foi tão empolgante, mas agora nos dá a sensação de estarmos amarrados e acorrentados em um peso difícil de superar. A vida não deve ser pesada. As experiências não devem ser acorrentadoras. Pelo contrário. Nossas vivências precisam ser fluidas tal qual a própria vida. Não que iremos viver superficialmente sempre em busca de novidades. Mas, ainda que as situações se mantenham as mesmas, seremos capazes de nelas encontrar um renovo, um refrigério, uma novidade, até que, em algum momento, não encontremos mais…

 

(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)



 


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