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[Reflexão] Tempo e paciência

 


Nesse mundo de coisas instantâneas, tipo o macarrão que em três minutos fica pronto, parece que temos nos desesperado à procura de resoluções para as mais diversas de nossas questões. Algumas são possíveis de serem encontradas, é verdade, e podem nos libertar de angústias duradouras, de incertezas desconcertantes. No entanto, há coisas na vida que, quando não possuem solução, ao menos exigem tempo e paciência para que sejam resolvidas. Dois mais dois resolvemos em um segundo. É quatro. A dor da perda do amor da nossa vida para um acidente inesperado não é algo que se possa resolver da noite para o dia. Mas é aí que reside o nosso erro. Incapazes de suportar o sofrimento, a dor, o desconforto de sermos frustrados e confrontados pelas coisas da vida, queremos respostas, queremos soluções, queremos que nos deem uma direção, uma orientação, que façam algo por nós que de nosso coração retire aquela amargura. Mas não é assim que funciona. Nem é assim que pode funcionar. Há coisas que podem ser resolvidas de forma superficial, ligeira. Mas há coisas que, para serem de fato resolvidas e elaboradas, exigem que nos reergamos e reconstruamos, coisas que, sinto muito, exigem tempo, paciência, perseverança, processo.

 

O problema é que, aproveitando-se da ânsia por soluções e respostas, surgem caminhos prometendo tais coisas. Fico extremamente incomodado quando, acompanhando alguém em sofrimento, ele me traz que alguém lhe fez uma proposta que o tiraria daquele lamento de forma rápida ou que lhe prometia ensinar o que fazer. Mas quem é que pode ensinar alguém a superar a morte de quem amava? Quem é que pode resolver para alguém a dor de ter um relacionamento rompido? Quem é que pode, concretamente, aliviar a sensação de injustiça que sente aquele que viu seu filho perder a vida? Não que sejam coisas impossíveis de acontecer, mas com certeza não acontecem nos três minutos de um macarrão. São coisas que exigem a cura da alma. E a cura da alma exige tempo e paciência. É um processo.

 

Portanto, tome cuidado com soluções milagrosas. É melhor se curar sentindo a dor, do que se sentir curado fingindo que ela não existe. É como alguém que, adoecido, toma medicamentos para aliviar o desconforto, mas não procura saber o que o adoece. Aquilo termina mascarado, aparenta estar controlado. Mas o tempo passa e o que não foi devidamente cuidado e tratado ganha proporções irreversíveis. Nossas dores existenciais funcionam da mesma forma. Precisam ser olhadas e analisadas, precisamos encontrar o sentido que elas possuem em nossas existências. E, então, conscientes quanto às suas finalidades para nós, podemos nos instrumentalizar para, ainda que não as curemos de fato, consigamos lidar com elas sem mais o sufocamento que nos provocavam. Afinal de contas, nunca deixaremos de sentir a falta daquele que partiu, mas a saudade com a qual ele nos deixou não precisa ser como a sensação de uma serra elétrica cortando o nosso coração eterna e repetitivamente.

 

(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)



 


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