Por
vezes somos exigentes demais. Seja com os nossos filhos, nossos companheiros,
nossos colegas de trabalho ou quaisquer outras pessoas que compartilhem conosco
nem que seja uma fração da convivência. E nos irritamos quando sentimos que não
estão se desenvolvendo. É como se não tivéssemos paciência para ensinar,
demonstrar, esclarecer dúvidas e resolver incertezas. Ou então não temos
humildade para nos agacharmos, quando necessário, e emprestarmos nossos ouvidos
de compreensão àquele que está com dificuldades. Gritamos, vociferamos. Se
não com palavras, acontece com gestos e olhares. Expressamos nossa insatisfação
e indignação e passamos a ideia de que nunca estamos satisfeitos. Uma ideia
verdadeira. Sempre tão altivos, traçamos metas inalcançáveis. Arrogantes,
não facilitamos o crescimento de alguém.
“Se uma planta não está
crescendo, não gritamos com ela, nós a regamos” (Autor Desconhecido)
Precisamos
ter a paciência e a sensibilidade de um gentil agricultor. Ele prepara a terra e lança suas
sementes, mas não fica esbravejando contra elas para que se desenvolvam no
tempo do seu desejo. Ele sabe que não é assim que funciona, então para quê
esperar pelo impossível? Antes, reveste-se de paciência e cuidado: dia e noite,
cauteloso e perseverante, rega suas sementes, limpa o solo, afasta as pragas.
Até que os primeiros brotos surgem. E, novamente, ele sabe que não vai
adiantar açoitá-los com palavras ou atitudes para que cresçam logo e deem os
seus frutos. Ele entende que o tempo precisa ser respeitado: o tempo do
amadurecimento. Então ele continua em sua atitude paciente de regar e
cuidar para que nada atrapalhe o crescimento daquela sementinha indefesa com
potencial para ser até mesmo uma robusta árvore. Dependendo, ele até conversa
com o brotinho. E a plantinha segue o seu caminho de evolução tendo a
companhia de um parceiro e não de um autoritário que, ignorante e apressado,
apenas perderia tempo insistindo na postura de aguardar que tudo aconteça de
acordo a sua vontade.
As
pessoas ao seu redor são como plantinhas e você pode ser como o agricultor. Pense
só se conseguir facilitar o processo de crescimento de alguém! Você
pode presenteá-lo com a sua paciência e sua parceria, pode afastar as pragas e
as sujeiras que porventura impeçam a semente de brotar. E pode regar para que a
plantinha cresça forte e saudável. Você pode estender a mão quando preciso e
dar um suporte quando necessário. Você pode encorajar e pode instruir. Você
pode orientar. Respeitando o tempo de crescimento de cada um, você pode ver
aquela pessoa um dia tão indefesa e inábil, transformar-se em alguém capaz de
compartilhar os próprios aprendizados. Paciente, você poderá ter a certeza
de que plantou algo no coração de alguém: o seu respeito pelo tempo daquela
pessoa o fará ser lembrado eternamente com o mesmo carinho da plantinha que,
agora uma árvore florida, reconhece no zelo daquele que a plantou sua grande
oportunidade de crescer.
Mas
para além de olharmos para os outros desse modo, que possamos olhar para nós
assim também. Isso porque tendemos a esbravejar contra nós quando sentimos
que o nosso crescimento não está exatamente no ritmo que cobiçamos. É quando
nos forçamos e pressionamos, é quando nos desrespeitamos. Também somos uma
plantinha necessitada de cuidados e proteção. Também precisamos ser regados.
Nutridos. Alimentados. Também precisamos de paciência com o nosso próprio
ritmo. Também precisamos de perseverança em nosso próprio caminho. Ainda que
pequenos, temos o potencial de nos tornarmos grandes em nossa própria
existência. Mas isso só acontecerá se ao invés de pressão e açoites, a nós
oferecemos compreensão e carinho. Já dizia Freud que poderíamos ser muito
melhores se não quiséssemos ser tão bons. Talvez seja esse o sentido.
Respeite a plantinha que você também é.
(Texto
de Amilton Júnior - @c.d.vida)
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