Já
se sentiu alheio a si mesmo em relação a certas situações em sua vida? Já se
viu fazendo coisas, ou falando palavras, que não correspondiam exatamente à sua
vontade, mas que foram manifestas em nome de cumprir o roteiro, agradar,
atender aos caprichos do mundo?
É
bem verdade que, em interação com outras pessoas, por vezes se faz necessário
que moldemos algumas de nossas atitudes em nome da boa convivência, mas
quando isso se torna uma constante, afastando-nos de nossas verdades, acabamos
distanciados de nós mesmos, apertando-nos para caber na forma tão limitada e
estreita a partir da qual somos vistos.
E
tudo começa quando ainda somos bem pequenos.
É
comum que, em um dia estressante, nossos cuidadores não nos atendam
imediatamente ao clamor de nossas necessidades, é quando negligenciam algum
cuidado ou não acolhem a expressão de alguma emoção. Entretanto, quando
essas faltas se repetem formam-se feridas em nossa pele existencial,
convocando-nos a adotar maneiras de agir que nos façam ser ouvidos e vistos.
Se
percebemos que só somos correspondidos quando escondemos certas emoções,
engolimos determinadas palavras e agimos a partir de determinadas condutas,
internalizamos que tais emoções são erradas, tais palavras jamais poderão ser
proferidas e que nossas atitudes, por mais que tenham ali a nossa
autenticidade, não são bem vistas: precisamos agir como a personagem que
começamos a criar, a personagem que é vista, que é acolhida, em
detrimento da nossa essência por vezes rotulada como feia e rejeitada.
Crescemos
e nos tornamos pessoas em busca de aceitação.
A
BUSCA POR ACEITAÇÃO
Inevitavelmente,
há cenas da vida adulta que nos remetem às cenas infantis. Como a discussão com
o namorado, por exemplo, a partir da qual alguém pode se lembrar das discussões
com a mãe, do tratamento de silêncio que recebia nessas ocasiões e do quanto aquilo
era angustiante pelo temor de ter perdido um amor tão essencial. O que a pessoa
faz? Submete-se, esconde os incômodos, força-se a demonstrar que está tudo
bem, enquanto se inibe na expressão de seus desejos, de suas opiniões...
Ou
alguém que, ao ouvir o chefe falar mais alto, sente uma vontade incontrolável
de chorar, pois é como se ouvisse o pai sempre tão exigente lhe cobrando por
notas melhores, por um desempenho melhor no esporte, por uma performance que
nem sempre ele conseguia alcançar e que nem mesmo queria, já que seus
interesses na vida eram outros e não se resumiam a sucesso em cálculos
matemáticos ou em dribles perfeitos numa partida de futebol.
Há
ainda aqueles que não conseguem ouvir ninguém e, portanto, usam-se de uma forma
soberba, ensurdecendo-se aos outros, agindo exatamente quando, ainda tão
pequenos, ouvindo tantas cobranças e xingamentos, isolavam-se na própria mente
a fim de evitar a dor causada por palavras perfurantes e, ao invés de tentar se
defender, correndo o risco de uma desaprovação maior, mantinham a suposta
aceitação daqueles a quem amavam através do silêncio que os levava para mundos
longínquos.
A
busca por aceitação é o que, em tantos momentos, nos leva a alienar partes que
nos compõem, sentimentos que experimentamos, ideias que articulamos, pois tememos
a rejeição daqueles que nos cercam caso ousemos mostrar ao mundo a verdade
sobre nós.
Não
percebemos, com isso, que aqueles que só aceitam a distorção de nossa imagem,
não nos aceitam de fato, mas uma personagem que criamos para sobreviver. Seria
isso aceitação realmente?
MERECIMENTO
Com
tantas reprovações ao longo da vida, passamos a acreditar que podemos não ser
suficientes para as pessoas, para as situações, para as conquistas e
experiências. Inferiorizamo-nos em relação a alguém, evitamos situações e
experiências por não nos considerarmos capazes de vivê-las, nem mesmo
conseguimos celebrar nossas conquistas por acreditarmos que não fizemos mais do
que a nossa obrigação. Em suma, traçamos nosso destino a partir do olhar
limitado daqueles que nos olham.
Talvez
devêssemos parar para pensar por perspectivas diferentes e nos darmos conta de
que em certas ocasiões não somos nós os insuficientes, os não merecedores, mas
são aquelas pessoas que não nos merecem e aqueles lugares que não dão conta do
potencial que guardamos no peito!
Não
se trata de nos transforamos em pessoas altivas, soberbas, egocêntricas, que
acreditam que são autossuficientes, que não dependem de nada, de ninguém, que o
mundo não lhes basta, que são boas demais para o resto da humanidade. Isso é de
um equívoco sem tamanho.
Trata-se
de aprendermos a reconhecer o nosso valor.
Só
que com uma vida de reprovações, rejeições, comentários maldosos sobre a nossa
forma de ser e palavras que discriminavam o quão insatisfeitos se sentiam em
relação a nós, é mesmo difícil passar a se acolher, a se respeitar, a se
sentir digno de experiências que nos enriqueçam, que nos nutram, que nos
satisfaçam e deem conta da magnitude de nosso impacto no mundo. Contudo, é
um caminho que precisamos percorrer em nome do nosso bem-estar, do direito que
temos a uma vida satisfatória!
Isso
passa pelo reconhecimento de que chegará o momento de deixar relações que não
conseguem nos enxergar, de deixar lugares que não nos deixam confortáveis, de
nos afastar de situações que apenas nos diminuem e de nos desvencilhar de
crenças tão arraigadas que a todo momento contaminam nossos pensamentos nos
fazendo duvidar de nossa capacidade.
Chegará,
portanto, o momento de nos permitirmos a relações que saberão nos acolher, a
lugares que saberão nos reconhecer em nossa singularidade, de situações que nos
incentivarão a explorarmos ainda mais o que trazemos na alma, a crenças que
servirão como suporte interno para que possamos nos colocar no mundo e viver a
vida.
Chegará
o momento de nos libertarmos da prisão que é tentar ser aceito por aqueles que
não estão preparados para deixarem as próprias expectativas e ilusões a fim de
vislumbrar a particularidade que nos define.
ENCONTRANDO
A ACEITAÇÃO
Bem
sei o quanto somos necessitados de pertencimento, daquele olhar confirmador que
nos faz sentir que, para além de vistos, somos compreendidos em nossa
existência. Só que por vezes teremos que aceitar o incômodo fato de que nem
sempre encontraremos naqueles nos quais buscamos a aceitação que nos atrai.
Isso
nos ajudará a não desperdiçar o acolhimento e consolo daqueles que poderão nos
receber em seus braços abertos e ternos.
Não
somos mais aquelas crianças dependentes de cuidados, portanto, não precisamos
mais nos submeter a olhares tão rigorosos. Talvez o primeiro passo seja
aceitarmos a nós mesmos, limpando-nos de tudo aquilo em que fomos levados a
acreditar a nosso respeito, para que, então, desfrutando de paz interior,
consigamos nos abrir àqueles que nos aguardam.
Se
essa reflexão tocou seu coração, salve por aí e a revisite sempre que sentir
necessidade.
Ouça,
também, um episódio especial do Insight Psicologias no qual falo mais sobre o
medo da rejeição e a busca por aceitação. Basta clicar
aqui!
Pensou
em alguém que poderia se beneficiar ao ler essas palavras? Compartilhe com essa
pessoa! Quem sabe seja exatamente o que ela precisa para dar início a
autoaceitação?!
Foi
um prazer!
(Texto
de Amilton Júnior - @c.d.vida)
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