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[Reflexão] O que não tivemos

 


Muitos de nós tiveram vidas difíceis. Seja porque passaram por privações materiais ou afetivas. Fato é que crescem e sentem falta daquilo que, sendo um desejo, não pôde ter sido satisfeito. E, então, desejam ardentemente prover àqueles que deles dependem tudo o que lhes faltou: seja a um neto, a um filho, a um sobrinho ou ao filho do melhor amigo! Pensam em tudo o que não tiveram e decidem que aquelas crianças terão a sorte de tê-las. E não há problema nisso. No entanto, muitos de nós, enquanto crescemos, também aprendemos coisas que, refletimos, a nós foram apresentadas tarde demais. Às vezes é a capacidade de falar não, em outras é a descoberta do quanto aprender outro idioma é importante e em tantas outras o quanto é fundamental que tenhamos tempo de qualidade com pessoas que a nós são especiais, pessoas, que um dia, partirão. E, então, pensando a partir desse ponto de vista, quero compartilhar algo que li recentemente no perfil @patibeckz: “E se em vez de comprar para os nossos filhos tudo o que não tivemos, a gente ensinasse o que não nos ensinaram?”.

 

Isso não é profundo? E acho que até mais valioso! Não que seja um problema, uma vez tendo tido a vontade não satisfeita de ter uma casinha de bonecas ou uma pista de corridas presentearmos alguém com essas coisas. Talvez façamos crianças muito felizes. No entanto, para além daquilo que o dinheiro compra e o tempo consigo leva, pode ser ainda mais proveitoso compartilharmos com aqueles que crescem sabedorias que só adquirimos depois que crescemos. Sabedorias que poderiam ter nos feito escolher caminhos melhores, evitado decisões equivocadas e aproveitado o tempo de forma mais plena. Sabedorias que poderiam ter nos ajudado a alcançar nossas conquistas bem antes da hora em que aconteceram. Eu sei...O importante é que aprendemos. Mas imagine só se tivéssemos aprendido antes? Quão grande não seria o valor disso para nós?

 

Talvez possamos compartilhar o que realmente importa, mas que antes não sabíamos, com aqueles que tanto amamos e que queremos que cresçam acompanhados por aquilo que não tivemos. Eles poderão crescer conscientes do quanto o amor importa, do quanto o respeito faz a diferença e do quanto precisamos sempre, em todo o momento, viajarmos para dentro em busca de saber se estamos realmente bem com aquilo que vivemos. Pois é assim, valorizando o amor, exercendo o respeito e trilhando o  autoconhecimento, que vivemos vidas mais felizes! Com dificuldades, sim, mas ainda assim mais felizes: mesmo as dificuldades serão vividas com a certeza de que haverá um amanhã no qual sorrir. Outra lição que às vezes custamos obter, mas que, uma vez obtida, nada mais nos paralisa.

 

(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)



 


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