Quando
somos crianças, e mesmo adolescentes, idealizamos o futuro com certo
entusiasmo. Pensamos na liberdade que teremos, nas experiências que
poderemos ter, naquilo que seremos e o que faremos com a oportunidade que nos
foi dada de viver. Uns sonharam com filhos, outros com uma carreira na
música e ainda outros com o encanto de desbravar o Universo! Fato é que muitas
eram as nossas idealizações, os nossos gostos e as nossas vontades, bem como
nossas habilidades, nossos talentos e nossas aspirações. Entretanto, conforme
crescemos, parece que nos distanciamos de tais convicções, parece que nos
esquecemos de nossos sonhos e de nossas possibilidades, é como se acabássemos
distanciados de nós mesmos e das nossas verdades. Cercados por demandas
incessantes, por deverias constantes e por exigências impacientes, é como se
simplesmente não ousássemos ser quem verdadeiramente somos.
“Você consegue lembrar quem era
você antes do mundo te dizer quem você deveria ser?” (Danielle LaPorte)
Pois
é… Com uma lista de quem deveríamos ser ou de como deveríamos nos comportar
e até mesmo de quais sonhos realmente deveríamos sonhar, perdemo-nos de nossa
autenticidade… Certa vez li uma história que me chamou a atenção. Era a de
um menino que, sempre tão criativo, ao ser convidado por sua primeira
professora a desenhar, foi pela mesma censurado, pois, conforme manda o
figurino, era ela quem tinha que dizer como seria o desenho. E assim foi ao
longo dos meses. Até que o menino mudou de professora. E nessa mudança surgiu a
oportunidade de um desenho. Mas o menino ficou imóvel diante da folha em branco
esperando por instruções. Perdeu sua espontaneidade, teve enfraquecida sua
criatividade e, assim, não conseguia mais expressar a autenticidade de sua imaginação…
Ao
longo do nosso crescimento passamos por situações semelhantes. Querem, a
todo momento, definir como devem ser os nossos passos, privando-nos, assim, de
descobrirmos por nós mesmos o nosso caminho. E aí todos aqueles sonhos se
esvaem. Não que deixem de ser sonhados, mas ao menos são ignorados, pois,
entendemos, não há espaço para eles. Acabamos limitados e aprisionados. Nossa
liberdade é reduzida às instruções que a nós entregam. E a vida começa a
parecer a realização de um roteiro para o qual nem mesmo contribuímos. Porém,
despertemos: não devemos nos obrigar a nada. De que importa o que
esperam a nosso respeito? De que nos interessa os sonhos que sonharam por nós?
Cada um deve ser livre para sonhar a própria vida. Cada um deve ter respeitado
o direito de fazer da própria existência aquilo que melhor lhe aprouver. Quem
era você antes do mundo lhe distorcer? Talvez seja chegado o momento de
resgatar-se!
“É melhor ser odiado por aquilo
que você é do que ser amado por aquilo que não é” (Andre Gide)
(Texto
de Amilton Júnior - @c.d.vida)
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