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[Reflexão] Cuide de quem ama

 


Pense naquela pessoa especial. Agora pense em como ela toca os seus sentimentos. Pense nas experiências que já tiveram, nas conquistas que compartilharam e nas gargalhadas que juntos soaram. Pense, ainda, nas lágrimas que um derramou sobre o ombro do outro. Pense nos planos que têm construído, pense em seus próprios planos que, você confessa, jamais aconteceriam sem aquela presença. Pense com carinho e pense de verdade. Pense nas brigas que tiveram e em como foram capazes de superá-las. Pense no que foi que os motivou a deixá-las para trás. Talvez você tenha tido que, em algum momento, conceder perdão a essa pessoa especial. E você o fez por ter a noção de que não tê-la mais ao seu lado seria doloroso demais. Então você superou o orgulho e foi capaz de curar o próprio coração para tornar a ter nos braços alguém que, inexplicavelmente, lhe faz experimentar borboletas nos estômago… Para além de pensar nessa pessoa, cuide dessa pessoa, pois um dia ela irá embora, você queira ou não.

 

Eu sei. Que coisa ruim de se ler, não é mesmo? E espero que você não interrompa a leitura nesse momento. Isso porque eu sinto que nos esquecemos do fato de que aqueles que amamos, aqueles que profunda e verdadeiramente amamos, não são eternos. Um dia partirão, serão memória, ocuparão não mais os mesmos lugares que ocupamos, mas as lembranças de nossos corações. Só que por nos esquecermos disso nem sempre cuidamos deles como deveríamos. Nem sempre nutrimos o amor que nos conecta da forma como ele merece, necessita e exige. Deixamos as coisas fluírem. Deixamos o tempo passar. Enganamo-nos com o costumeiro ao ponto de acreditar que tudo será como sempre foi. Até que o inesperado nos surpreende. Queremos envelhecer com aquele que amamos, queremos ver seus cabelos caírem ou queremos que ele contemple os nossos embranquecendo. Mas nem sempre a vida é tão amigável ao ponto de nos permitir essas coisas. Às vezes, sem que tenhamos qualquer controle, o inesperado nos atinge e esse envelhecer junto se torna uma impossibilidade. O que vivemos até ali, vivemos. O que não vivemos, jamais viveremos.

 

Então cuide de quem ama.

 

Não saber o que vai acontecer e não ter certeza de que nossos anos se findarão ao mesmo tempo não deve nos desesperar, angustiar ou afobar. Deve, antes, nos fazer viver com sutileza cada segundo do qual dispomos. Não perca tempo com coisas pequenas. Não dê profundidade a pensamentos rasos. Nem se importe com sentimentos passageiros. Não… Não perca tempo com a efemeridade daquilo que não agrega, que não se sustenta, que não se funda em bases sólidas. Antes esteja atento às coisas da alma, àquilo que toca o nosso íntimo de uma maneira que nada nesse mundo é capaz de tocar. Pois é isso o que importa. É isso o que nos ajuda a superar dias difíceis. É isso o que nos ajuda a manter vivo um amor redentor. E é isso o que, no dia da mais dolorosa saudade, nos fará olhar para o céu gratos por aquela existência que tão de repente, sem que imaginássemos, encontrou-se com a nossa e nos deu de presente um Universo só nosso.

 (Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)





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