Cair no
costumeiro da rotina é um erro grave que podemos cometer. Isso porque
experimentamos da sensação de que tudo nos é garantido, de que tudo será
eternamente como sempre foi. Mas isso
não é verdade. Quando eu era criança, ainda muito pequeno, pensava que o
mundo sempre fora como os meus olhos contemplavam e, como deve acontecer com
todas as pessoas que um dia foram bem pequeninas, acreditava que o mundo, o meu
mundo, nunca se transformaria. Mas, então, os anos se passaram a mim como
passam para qualquer um de nós e me trouxeram uma das mais dolorosas verdades: tudo muda, queiramos ou não, estejamos
abertos a essa mudança ou não, a vida segue o seu fluxo, o seu ritmo, e aquilo
que um dia parecia eterno revela-se tão finito quanto o vapor d’água que se
esvai assim que a gota fria se encontra com a superfície quente.
Mas
como, e, novamente, como qualquer outro ser humano, não nasci sábio e entendido
quanto às coisas da vida, essa verdade não foi assimilada rapidamente. Ao
contrário. Tive minhas experiências ao longo dos anos e que me ensinaram coisas
profundamente importantes. Como o fato
de que os melhores momentos chegam ao fim. As melhores conversas têm o seu
ponto final. As histórias mais impressionantes se encerram em seus últimos
capítulos. E as pessoas que mais amamos podem ir embora. E elas se vão
porque chegaram ao ponto final de suas vidas ou porque, por um erro nosso e
pela nossa negligência na hora de cuidar daquilo que entre nós existe, não
podem mais continuar. Achamos que não fariam isso. Achamos que para sempre as
teríamos em nossas vidas, ao nosso lado, compartilhando experiências. E, então,
desatentos e distraídos, permitimos que se vão, que partam, levando consigo
algo que nos alegrava.
É quando
experimentamos uma amarga dor. É quando reconhecemos que tivemos a
oportunidade, mas a desperdiçamos. Não
amamos como deveríamos ter amado. Nem cuidamos como deveríamos ter cuidado.
Tínhamos nas mãos um tesouro, o coração daquele que despertava agito em nossas
almas, mas o perdemos, deixamos ir, não soubemos cuidar. Perdemos,
além disso, a doce sensação de sermos amados por aqueles que já não podem
continuar nos amando. Quantas histórias poderíamos ter vivido? Quantas
gargalhadas poderíamos ter compartilhado? Quantos silêncios poderíamos ter
dividido? Poderíamos... Não podemos mais... Isso porque, acostumados com o que
sempre tivemos, enganamo-nos ao acreditar que para sempre teríamos independente
de nosso zelo e proteção, independente de nosso cuidado. Mas o amor é como uma flor que, ao não ser regada, perde suas folhas e
morre. Portanto, desperte enquanto há tempo, acorde enquanto há vida! Tudo
o que você tem não está para sempre garantido. Ame enquanto for possível.
Estime enquanto for palpável. Regue os corações enquanto a eles você tiver
acesso. Chegará o dia que nossos amores
serão apenas lembranças dentro de nossos corações. Que lembremo-nos deles com
satisfação e prazer, gratos pela chance que tivemos, e não com dor e
desconsolo, arrependidos pelos afetos que desdenhamos…
(Texto
de Amilton Júnior - @c.d.vida)
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