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[Reflexão] O amor é como uma flor

 


Cair no costumeiro da rotina é um erro grave que podemos cometer. Isso porque experimentamos da sensação de que tudo nos é garantido, de que tudo será eternamente como sempre foi. Mas isso não é verdade. Quando eu era criança, ainda muito pequeno, pensava que o mundo sempre fora como os meus olhos contemplavam e, como deve acontecer com todas as pessoas que um dia foram bem pequeninas, acreditava que o mundo, o meu mundo, nunca se transformaria. Mas, então, os anos se passaram a mim como passam para qualquer um de nós e me trouxeram uma das mais dolorosas verdades: tudo muda, queiramos ou não, estejamos abertos a essa mudança ou não, a vida segue o seu fluxo, o seu ritmo, e aquilo que um dia parecia eterno revela-se tão finito quanto o vapor d’água que se esvai assim que a gota fria se encontra com a superfície quente.

 

Mas como, e, novamente, como qualquer outro ser humano, não nasci sábio e entendido quanto às coisas da vida, essa verdade não foi assimilada rapidamente. Ao contrário. Tive minhas experiências ao longo dos anos e que me ensinaram coisas profundamente importantes. Como o fato de que os melhores momentos chegam ao fim. As melhores conversas têm o seu ponto final. As histórias mais impressionantes se encerram em seus últimos capítulos. E as pessoas que mais amamos podem ir embora. E elas se vão porque chegaram ao ponto final de suas vidas ou porque, por um erro nosso e pela nossa negligência na hora de cuidar daquilo que entre nós existe, não podem mais continuar. Achamos que não fariam isso. Achamos que para sempre as teríamos em nossas vidas, ao nosso lado, compartilhando experiências. E, então, desatentos e distraídos, permitimos que se vão, que partam, levando consigo algo que nos alegrava.


 



É quando experimentamos uma amarga dor. É quando reconhecemos que tivemos a oportunidade, mas a desperdiçamos. Não amamos como deveríamos ter amado. Nem cuidamos como deveríamos ter cuidado. Tínhamos nas mãos um tesouro, o coração daquele que despertava agito em nossas almas, mas o perdemos, deixamos ir, não soubemos cuidar. Perdemos, além disso, a doce sensação de sermos amados por aqueles que já não podem continuar nos amando. Quantas histórias poderíamos ter vivido? Quantas gargalhadas poderíamos ter compartilhado? Quantos silêncios poderíamos ter dividido? Poderíamos... Não podemos mais... Isso porque, acostumados com o que sempre tivemos, enganamo-nos ao acreditar que para sempre teríamos independente de nosso zelo e proteção, independente de nosso cuidado. Mas o amor é como uma flor que, ao não ser regada, perde suas folhas e morre. Portanto, desperte enquanto há tempo, acorde enquanto há vida! Tudo o que você tem não está para sempre garantido. Ame enquanto for possível. Estime enquanto for palpável. Regue os corações enquanto a eles você tiver acesso. Chegará o dia que nossos amores serão apenas lembranças dentro de nossos corações. Que lembremo-nos deles com satisfação e prazer, gratos pela chance que tivemos, e não com dor e desconsolo, arrependidos pelos afetos que desdenhamos…

 

(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)


Antes de partir, convido você a assistir ao vídeo "A tal da melhor versão":

 


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