A
autopercepção é um instrumento de desenvolvimento, crescimento e libertação. Isso
porque ela nos permite, em meio ao caos, diferenciarmo-nos do que está turvo e
bagunçado, compreendendo aquilo que é nosso, de nossa responsabilidade, e
aquilo sobre o qual nada temos de controle ou comprometimento. É como
alguém que, sempre prestativo aos outros, mas sem perceber sua atitude nas
relações que estabelece, encontra-se atolado de demandas que, realmente, nem
lhe pertencem, mas que a ele foram delegadas. Ele se questiona e se irrita. “Como
são capazes de me pressionarem dessa forma?” Até que se dá conta da sua
tendência a demonstrar boa vontade até para assuntos que não são de sua
competência. Percebe que tem alimentado os preguiçosos e oportunistas que lhe
demandam o impossível. E, então, consciente da responsabilidade que tem no
próprio sofrimento e no próprio desconforto, tem a chance de mudar, de se
transformar, estabelecendo limites e sabendo ser prestativo no momento adequado.
Percebe
o poder da autopercepção?
Às
vezes não entendemos o porquê de determinados incômodos que experimentamos em
nossas relações com as outras pessoas. E ficamos questionadores quanto ao que
pode estar acontecendo. Tendemos a procurar no outro, a procurar lá fora, a
culpar o mundo! E, realmente, em certos momentos o externo que nos circunda
pode mesmo nos infligir alguma dor. No entanto, em tantos outros somos nós,
pelo nosso jeito de ser, que causamos os ferimentos. Seja por nosso jeito
de usar as palavras, seja pela nossa mania de querer bancar o bonzinho, seja
pela nossa ânsia por entregar tudo no menor tempo possível apenas para termos
um reconhecimento que não tivemos lá atrás, quando crianças, de nossos pais. Entendermos
o que estamos fazendo e para qual sentido o fazemos é um caminho necessário
para que nossas ações no mundo estejam congruentes com aquilo que queremos
viver. Ao nos darmos conta, por exemplo, de que nossa ânsia por agradar a
uma figura de autoridade não passa de uma tentativa de compensarmos a
dificuldade que outrora tivemos de agradar um pai autoritário ou uma mãe
impaciente, podemos fazer às pazes com aquela criança desassistida e amadurecer
de verdade, estabelecendo outro tipo de relação com nosso trabalho: mais
saudável, menos perfeccionista e demandante.
Procure
se conhecer e se perceber no mundo. Procure reconhecer as suas ações e a quais
resultados elas o têm levado. Se as consequências têm sido incômodas e
desastrosas, será que não é chegado o momento de rever os passos de sua
caminhada? E não há problema algum se, nesse processo, você se descobrir
como sendo um dos “vilões” da própria história. A vantagem é que, sendo o
autor, está nas suas mãos a capacidade de mudá-lo, melhorá-lo, redimi-lo.
(Texto
de Amilton Júnior - @c.d.vida)
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