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[Reflexão] Ter que saber

 


Às vezes começamos aprender algo, em nossas vidas, e não concluímos. E muitos podem ser os exemplos. Podemos começar um curso de inglês e deixá-lo pela metade. Ou podemos iniciar uma faculdade de engenharia e desistir dela nos primeiros semestres. Em alguns casos, durante o percurso, somos capazes de identificar que aquele não é o nosso caminho: não queremos aprender inglês e engenharia nada tem a ver com a nossa vontade. Recomeçamos. E nessa acabamos nos encontrando em um curso de espanhol ou francês ou descobrimos nossa “vocação” cursando medicina veterinária ou biomedicina… No entanto, em outros tantos casos essa desistência precoce e prematura não se dá porque aquela área não nos encantou. Pelo contrário. Talvez estejamos enormemente encantados, só que a nossa autocobrança excessiva nos impulsiona a iniciar um aprendizado com a sensação de que já precisamos saber. Desistimos do inglês porque não falamos fluentemente e sentimos desconfortos por esse fato nos confrontar na idealização de perfeição que temos feito a nosso respeito. Ou desistimos da engenharia porque, diferente de nossos professores admirados, não conseguimos ter aquelas robustas fórmulas na ponta da língua. Em suma, a perfeição nos paralisa.

 

E eu consegui ter essa compreensão em uma sessão de terapia. Confessei à minha psicóloga que estava com dificuldade de continuar determinado projeto e, então, refletimos sobre o quanto o meu pensamento de “ter que saber” algo que ainda nem aprendi estava dificultando o meu lado aprendiz de florescer. E é exatamente isso. Precisamos de humildade e sutileza. Precisamos reconhecer que, ao dar os primeiros passos, não somos como aquele que já caminhou mil! Não temos o seu conhecimento, nem a sua experiência, como podemos nos exigir algo assim? As coisas mudam quando o nosso olhar para com o nosso processo também muda. Se respeitamos a nossa condição, a nossa posição, se verdadeiramente reconhecemos os nossos limites naquele momento e trabalhamos a partir disso, entendemos que ainda não somos fluentes no Inglês nem temos o domínio dos professores de engenharia, mas, em nosso tempo e em nosso ritmo, procuraremos nos desenvolver para que a fala flua tranquila e os cálculos sejam feitos com a mesma naturalidade de alguém que, depois de anos treinando, dança linda, suave e encantadoramente! Mas perceba o que disse: depois de anos treinando! O mais belo bailarino e a mais admirável bailarina não nasceram assim: construíram-se superando dificuldades, erros, fraquezas e falhas até se tornarem quem são!

 

Deixe de lado o “ter que saber” e assuma a bênção que é não saber. Pois, uma vez sem saber, significa que você terá um universo de possibilidades a conhecer. E isso, garanto, é maravilhosamente empolgante!

 

(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)



 


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