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[Reflexão] Ame a alma das pessoas

 


Uma das mais terríveis coisas que afastam os seres humanos é o preconceito. Seja qual de qual tipo for. O preconceito é aquela conclusão que formamos sobre alguém, sobre algum grupo ou mesmo alguma ideia sem antes nos aprofundarmos, sem antes conhecermos verdadeiramente aquela questão. E isso constrói muros ao invés de pontes. Isso afasta ao invés de unir. Isso cria uma luta vã e nefasta cujos grupos se dividem entre “nós” e “eles”. E isso é de uma ignorância sem tamanho. As pessoas são muito mais que qualquer conclusão que possamos formar sobre elas. Sua cor de pele, sua religião, seu país ou mesmo sua orientação sexual não são os únicos fatores que as definem. Rótulos nada querem dizer. Há pastores que fazem mal a crianças e há ateus que doam aos pobres. Tirar conclusões precipitadas sobre alguém porque achamos saber algo a respeito da identidade que ele carrega só nos faz agir equivocadamente em relação a quem quer que seja.

 

Além de tudo, alguém sofrer pela forma como existe é algo que jamais serei capaz de entender. Como podemos infligir dor a um rapaz que ama outro rapaz na privacidade de sua vida? Ou como podemos colocar um ponto final na relação entre um menino e seu pai que, sendo um homem negro, foi confundido com um bandido e teve ceifada a sua vida? Ou como podemos negar a uma pessoa com deficiência o direito a uma vida feliz? É isso o que me irrita e frustra, a nossa incapacidade de olharmos profundamente para as pessoas, sem ficar na superfície daquilo que nossos olhos contemplam, aprofundando-nos em seus íntimos e permitindo que nossas almas se comuniquem. Porque às almas não há cor de pele, não há pensamentos divergentes, não há posicionamentos contrários. Às almas, se a elas assim permitirmos, há apenas o encanto de terem a chance de se conectarem, de se reconhecerem e de se unirem.



 


Podemos perder pessoas incríveis por preconceito. Sem saber, tecendo comentários maldosos, criando uma atmosfera de densa inquietação, um adolescente pode se levantar contra a própria existência por ter medo de compartilhar com os pais que é gay. Ou uma garota, sendo negra, pode deixar de viver a completude de seu ser achando que seria mais fácil ter nascido em outro corpo... Isso é doloroso de escrever, imagino o quanto seja de viver. E algumas desses dores eu mesmo sei como é sentir. E se você quer saber, são insuportáveis. É doloroso demais olharmos para dentro e nos odiarmos pelo que vemos ou encontramos. Não porque nos achamos indignos, não porque acreditamos que somos aberrações, mas porque sabemos que não são capazes de nos verem como somos, com as intenções que temos: só queremos ser felizes a partir da nossa condição e gostaríamos de fazer felizes aqueles que junto a nós se dispusessem a caminhar!

 

Olhe para os seres humanos com olhos de ternura e amor. A maior parte das religiões, se não todas, quando paramos para estudá-las e observá-las, trazem alguma mensagem de amor e união. Isso porque eu sinto e eu acredito, independentemente de quaisquer fés, que aqui estamos para evoluir em nossa humanidade, para sermos capazes de conviver apesar daquilo que entre nós se coloca, para sermos feitos em seres iluminados que, colocando de lado qualquer divergência, importa-se apenas com aquilo que nos une: cada um, seja pobre ou rico, negro ou branco, gay ou não, carrega dentro de si uma alma encantadora e bela, uma alma amada pelo Universo, por Deus, ou pelo que quer que venhamos a acreditar. Ame a alma das pessoas. E a sua alma será amada também.

 

(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)


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