Michael
Jackson é, sem dúvidas, o meu artista favorito. Isso se dá pela sua arte,
claro, seus shows sempre tão bem produzidos e seus álbuns sempre tão bem
desenvolvidos me encantam desde que eu era criança. Mas vai além. Minha admiração por ele também se dá em
seus gestos e na filosofia presente em suas músicas. Em Man In The Mirror, por exemplo, ele nos
convida a sermos a mudança que tanto esperamos no mundo. Já em Keep The Faith ele nos convoca a
mantermos nossa fé e confiança, pois assim conquistaremos aquilo que desejamos
em nossos corações. E o que falar de Heal
The World? Simplesmente um clamor
para que cada ser humano faça do lugar que ocupa o melhor que poderia existir o
que, penso eu, com certeza faria do mundo um lugar mais agradável e curado de
suas mazelas.
E há uma
canção em especial que me fascina e encanta. The Lost Children. Nela, ele entoa que estamos sempre em oração por
aqueles que conhecemos e amamos e que estão, de alguma forma, vivendo suas
vidas, mas que nos esquecemos daqueles que estão desamparados e esquecidos, das
crianças perdidas... Essa é uma canção que muito me toca porque acabo pensando
além. Embora, traduzindo, a música se chame literalmente “As crianças
perdidas”, podemos pensar em todos
aqueles que não são vistos nem percebidos, que estão marginalizados e
abandonados, que ao estenderem as mãos provocam o afastamento daqueles que
atravessam a rua ou que ao tentarem se aproximar são espantados como se fossem
animais em portas de mercearias. E é isso o que entendo por esquecermo-nos
de tais pessoas. Não as vemos, talvez nem as consideremos como nós, mas são e
estão necessitadas do mesmo amor que somos necessitados, do mesmo afeto que
buscamos e da mesma dignidade e respeito que merecemos. Não são menos que nós.
Lembremo-nos delas!
Na
música fala-se em oração, o que é por si só maravilhoso. Quando você está orando, rezando, meditando, conversando com aquele que
acredita estar acima de nós, será que se lembra daqueles que não têm alguém que
por eles suplique? Quantos estão sozinhos e abandonados, solitárias e
isolados! É bem verdade que talvez não saibamos o que os levou até esse lugar.
Mas que sejamos misericordiosos e lembremo-nos deles em nossos pedidos. Que os
resgatemos em nossos intentos. Que a nossa piedade e o nosso clamor se acheguem
a eles também e lhes tragam conforto.
Para
além de orações, que possamos ir às ações dentro daquilo que nos é possível. Que as nossas mãos se estendam e que nossos
braços não se encurtem àqueles que só querem um pouco de zelo e afeto, que só
querem se sentir humanos. Olhe-os com olhos de compaixão. Mas não apenas
assim. Olhe-os como um caçador de talentos que procura em novatos as mais
promissoras das vocações. As pessoas
carregam em si potencialidades e possibilidades. Às vezes nem mesmo elas
conseguem se dar conta do quanto podem fazer! Que possamos olhar para além
de suas limitações e deficiências e que possamos ver o potencial humano no qual
podem se transformar! Imagine ser aquele que desvela os olhos cobertos de
alguém e lhe permite contemplar a riqueza que guarda dentro de si! Isso seria
bonito de se viver. Mas para tal, precisamos nos lembrar daqueles que andam
esquecidos. Precisamos encará-los e
acolhê-los, precisamos amá-los!
(Texto
de Amilton Júnior - @c.d.vida)
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