Às vezes
é como se experimentássemos a sensação de que ninguém se importa conosco. Em
algumas delas estamos certo. Pode ser que estejamos dentro de relações nas
quais a doação é unilateral, parte apenas de nós, enquanto o outro lado pouco
ou nada faz a fim de manter vivo aquilo que nos une. Nesse caso estamos certos,
não há importância, não há consideração. Mas em outras estamos completamente
equivocados, só que não sabemos, não percebemos, não conseguimos visualizar o
nosso equívoco. Somos sim considerados e
somos sim validados, importam-se sim com a nossa existência, só que não da
maneira como queremos, exigimos ou idealizamos.
E aí
está o nosso erro. Se em algumas situações a sensação é verdadeira, em outras
ela nos engana. Sinto que por vezes ficamos exageradamente autocentrados, como
se o mundo nos devesse algo, como se as pessoas precisassem descobrir os
segredos mais ocultos que estão escondidos dentro de nossos corações e, assim,
tornamo-nos incapazes de encontrarmos no gesto do outro o carinho do qual
necessitamos. Isso porque esperamos
determinada forma de carinho, determinado gesto de afeto, determinado modo de
amor, esquecendo-nos de que a nossa imaginação parte do nosso lugar, do nosso
ponto de vista, que pode ser – e normalmente é – diferente do ponto de vista
daquele que ao nosso lado caminha. Talvez sintamos que somos cuidados
quando, ao acordar pela manhã, recebemos na cama um saboroso café. Enquanto que
para o outro, na mais sincera intenção de cuidar, o seu gesto está naquele
atento beijo de despedida antes de partir ao trabalho. Talvez sintamos que
nosso melhor amigo se importa conosco se jamais acabar se esquecendo da data do
nosso aniversário. Enquanto que, para ele, sua importância está demonstrada
naquela assídua mensagem de bom dia que nos manda e que, por vezes,
desdenhamos. Percebe o que quero trazer? Cada
um tem a sua forma de cuidar e de se importar. Cada um tem a sua maneira de
demonstrar os afetos que por nós cultiva. Se
estiver difícil compreendê-los, abra os seus olhos, antes que as ausências de
tais gestos terminem doendo em saudade.
Deixe de
lado a postura rigidamente autocentrada. E experimente ampliar o seu olhar para
o que acontece ao seu redor. Não perca um amor profundo pela falta de um café
na cama quando que, na verdade, há tantas outras coisas sendo ofertadas, coisas
que você não imagina que poderia encontrar. Nem se afaste de uma amizade leal
por um esquecimento ao qual todos estamos sujeitos, mas que não apaga os
momentos compartilhados, as dores divididas e as alegrias em união celebradas. Não perca o que tem por ficar desejando
aquilo que pensa que merecia ter. Talvez a importância que você espera não lhe
seja direcionada da forma como imagina, contudo não seja insensato ao ponto de
perder aquela que os seus olhos ainda não contemplam, mas que a sua alma sente.
(Texto
de Amilton Júnior - @c.d.vida)
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