Acredito
que, em muitos contextos das nossas vidas, vivemos apenas o resultado daquilo
que escolhemos. E isso nos liberta de uma forma que nem sempre entendemos. É
bem verdade que há coisas na vida que fogem do nosso controle e, quanto a elas,
nem sempre teremos algo a fazer a não ser mudar nossa forma de vivê-las. Há
coisas, no entanto, sobre as quais temos algum tipo de poder de ação, cabendo a
nós a conscientização da parte que nos cabe. Dentre essas coisas, o amor.
Muitos dizem, emocionados, que adorariam viver um amor eterno, uma história que
não findasse, uma relação que se prolongasse através dos anos. Só que dizem
isso como se, apenas ao dizerem, as coisas acontecessem. É como se lançassem
suas preces aos céus e, então, de braços cruzados, aguardassem que a vida se
encarregasse de todo o resto. Só que não é assim que acontece. Pelo menos não
quando o assunto é amor. Pois ele precisa ser mantido, para além de ser
conquistado. Afinal, conquistá-lo pode ser fácil, às vezes basta um sorriso
encantador, mantê-lo é que é desafiador, convoca-nos a apreciarmos beleza atrás
de pesarosas lágrimas.
“É no cuidado do dia a dia que o
amor acontece, sobrevive, permanece” (Rachel Carvalho)
É
no dia a dia. A história da qual queremos participar, a vida que
verdadeiramente queremos viver, é construída no dia a dia, a partir de nossas
escolhas. E isso exige de nós uma presença interessada, uma paciência constante
e uma atenção permanente. É necessário sentir a vida cotidianamente, caso
contrário, acostumados ao rotineiro, deixamos de estar presentes, perdemos a
paciência precocemente e ficamos distraídos: o amor está lá, mas nós não
estamos lá para ele. E aqui não me resumo ao amor romântico, embora muitos
logo pensem sobre ele. Falo sobre todos os tipos de amores. Amigos que não
cuidam da amizade que os envolve podem se transformar em estranhos conforme os
dias se passem. Familiares que não nutrem os sentimentos que os circundam podem
perder a chance de construir memórias que os consolarão naqueles dias de
saudade… Percebe? Não basta amar, não basta dizer que ama nem dar o primeiro
passo rumo a esse sentimento. A caminhada não acaba aí. O amor não acontece
na declaração. Nem sobrevive no primeiro passo. O amor se fortalece na
constância dos gestos, na continuidade das declarações, na confirmação da
ações. E isso se dá no dia a dia, no minuto a minuto. Enquanto fizer sentido.
(Texto
de Amilton Júnior - @c.d.vida)
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