Humanos
que somos, por vezes também nos encontramos ansiosos. Queremos que as coisas
se apressem e aconteçam de uma vez. Queremos que a vida se concretize
rapidamente. Mas não é assim que funciona. E aqueles que acompanham minhas
reflexões a algum tempo sabem o quanto pude entender que há um tempo a ser
obedecido para que as coisas aconteçam. E parte desse aprendizado se deu
acompanhando pessoas em suas dores e sofrimentos, em suas conquistas e alegrias.
Quantas vezes me vi angustiado querendo apressar os seus processos! Mas isso
não lhes faria bem, eu não estaria fazendo o meu trabalho ao não lhes permitir
amadurecer em seu próprio ritmo. Então me acalmei. E assim entendi que é
necessário paciência e humildade na relação com outro ser humano. Ele caminhará
em seu próprio ritmo e intensidade. E caminhará enquanto lhe fizer sentido,
independente da minha vontade ou do que quer que eu consiga ver. O caminho
é dele. A decisão também. Cabendo a mim ser apenas uma companhia acolhedora e
confirmadora que compreende que cada ser humano é potente e criativo em sua
própria forma e medida. De maneira que não posso passar uma régua. Não devo
colocar uma linha de chegada para a qual todos devem se achegar. A minha
linha de chegada pode ser antes da sua. E não há problema nisso. Nossos
caminhos e nossos destinos são diferentes.
Entender
isso é libertador!
É
libertador quando, finalmente, conseguimos aceitar as nossas particularidade e
singularidade, assim como as das outras pessoas. Passamos a nos respeitar. E passamos
a nos questionar sobre o que verdadeiramente importa a nós e nos faz sentido. Quantas
vezes, nessa reflexão importante, entendemos que estivemos lutando lutas que
não eram nossas? É como um jovem adulto que adentra a faculdade de
direito porque seu avô e seu pai são renomados advogados e o escritório, dizem,
a ele estava predestinado antes mesmo do seu nascimento. Dentro de si, no
entanto, não foi plantada a semente do advogar. A semente que ali brotou foi a
do lecionar ou a do pintar ou mesmo a do cantar! É quando ele entende que
esteve cultivando o que não lhe pertencia. E, ao conseguir desvencilhar-se de
um projeto que não é de sua autoria, sustenta a escrita da própria história,
fica mais feliz e realizado: em sua própria forma e em sua própria medida
explorará o potencial que tem para criar a própria vida!
Todos
temos esse potencial criativo em nosso interior. Só que as vezes precisaremos
fazer como o agricultor que, ao espalhar as sementes por sobre o terreno, em
seguida precisa limpar a terra para que sujeiras desagradáveis não dificultem
ou mesmo impeçam o crescimento de suas hortaliças. Às vezes precisaremos nos
limpar de expectativas que a nós foram lançadas ou mesmo de crenças que
introjetamos a nosso respeito sem o mínimo de reflexão e que, dolorosamente,
sufocam-nos e nos impedem de uma vida autêntica. O trabalho é árduo, eu
sei. Por vezes o sol arderá e a chuva nos açoitará. Mas sempre haverá um
entardecer a nos refrescar e o dissipar das nuvens trará de volta o brilho
aconchegante de um sol aquecedor. O importante que é que floresçamos em
nossa própria forma e medida!
(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)
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