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[Reflexão] A construção do amor

 


Construções levam tempo e envolvem processos. Eu não sei muito de engenharia civil, por exemplo, mas imagino que, ao levantar uma casa, há muito trabalho a ser feito antes mesmo de confecção dos materiais: a planta precisa ficar bem ajustada e calculada. E, então, a obra se inicia. O terreno precisa ser avaliado, aprovado e, então, preparado. Depois se desenvolve o alicerce da casa, aquilo que a sustentará e manterá em pé. Vou parar por aqui para não passar vergonha rsrs, mas o fato é que não se constrói uma casa da noite para o dia, às pressas, de qualquer jeito. Caso contrário, os riscos são grandes e o preço a se pagar pode ser alto demais. E isso deveria valer para vários aspectos de nossas vidas. O nosso lado profissional, por exemplo, é uma construção. Assim como as amizades que vamos construindo ao longo da vida. Sem dizer no amor.

 

O amor é uma construção. Pena que nem todos pensam assim. E talvez não pensam porque o amor tem um jeito muito único de acontecer. Às vezes ele se manifesta num primeiro contato com alguém que chama a nossa atenção. Experimentamos aquelas típicas sensações de coração acelerado, pensamentos agitados, indecisões sobre como agir. Aproximamo-nos daquela pessoa. E vamos nos conhecendo. Para alguns é rápido, já se pedem em namoro. Para outros é mais demorado, passam-se algumas semanas até que alguém, motivado por seus sentimentos românticos, fala o quanto seria interessante se pudessem ter mais tempo juntos, a deixa para que a outra parte, timidamente interessada no romance, tenha coragem para, então, fazer o pedido. Eis que o amor acontece. Só que ele não se mantém no automatismo de nossos dias, embora, ainda que inconscientemente, acreditemos que sim. É uma construção. E, como toda a construção, exige planejamento e esforços, reforços e ornamentos. Caso contrário, bate o vento e tudo desmorona, cai, acaba.

 

Sendo uma construção, o amor precisa ser nutrido e protegido dia a dia. Ele não exige grandes atos, ações magníficas, gestos extraordinários. Ele é suave e é tranquilo. O amor não é uma bagunça. Nós que, bagunçados em nossos sentimentos, por vezes o desorganizamos. Mas o amor é sublime. E, portanto, não precisa de muito para ser mantido e sustentado, pois é nas pequenas coisas que se revela a alguém o quanto ele é importante e significativo. Pois, se não nos atentamos às pequenas coisas, as grandes se tornam apenas uma forma de compensação. E elas são insuficientes. Extasiam num primeiro momento, é verdade. Mas o êxtase sempre passa. E se não houver nada conosco, ele passa e ficamos vazios. Enquanto que, ao amor sustentado nas pequenas coisas do cotidiano, numa atenção despreocupada, numa presença atenta e verdadeira, numa preocupação genuína e acolhedora, num acolhimento interessado e sem julgamento, nunca faltará coisa alguma, ele viverá momentos grandiosos, claro, mas esses momentos serão apenas uma maneira de fortalecer aquilo que, ao longo do tempo, já vinha sendo construído.

 

Sendo uma construção, portanto, o amor não se dá à preguiça. Não. Não podemos ser preguiçosos ao amar, nem conformados, muito menos acomodados. Se realmente amamos, se aquela pessoa, a quem direcionamos nossos sentimentos, tem um real valor a nós, devemos nos entregar de corpo e alma, de peito aberto, sem medo nem neura, com profundidade e inteireza. Muitos não amam. Pois não se entregam. Sei lá, acho que só fingem amar porque pensam que é legalzinho. Amar não é legalzinho, sinto muito. Amar é um ato de coragem. Amar é adentrar o desconhecido sem saber aonde ele vai dar. Porque o amor é imprevisível. Afinal, imprevisivelmente surge. Imprevisivelmente nos encaminha pelas construções de nossas vidas.

 

(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)





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Comentários

  1. Oi, Amilton. Amei tanto o seu post. Achei tudo tão lindo. É clichê falar que é lindo, mas o amor é muito lindo mesmo. O amor verdadeiro, esse construído de que você mencionou.
    Ser belo não significa que ele é sempre um mar de rosas. Requer trabalho, como todas as relações familiares. Escolher alguém para amar é escolher alguém para ser sua família. Isso é forte, profundo e lindo.

    Voltei para os blogs esses dias e o seu antigo estava na minha lista de seguidos. Por lá achei o seu blog atual. Não sei mais como segue um blog por dentro, mas eu recortei o link do seu blog e colarei na minha lista para visitar sempre. Esse é um prazer que eu quero resgatar: ler sobre o universo dos outros.
    Também estou escrevendo sobre o meu.
    Vou deixar o link, se quiser me visitar, ficarei muito feliz. Mesmo se não, será um prazer ler mais textos seus. (Lerei os anteriores).

    Um abraço.
    pequenoinfinito8.blogspot.com

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