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[Reflexão] A procura pela felicidade

 


Já diziam os antigos sábios que uma das maiores buscas do ser humano é aquela pela felicidade. Infelizmente, no entanto, a felicidade é compreendida como uma eterna e constante alegria. Algo que vai no sentido completamente oposto ao apontado pelos estoicos, sempre tão reflexivos quanto à maneira como levavam suas vidas. Sêneca, por exemplo, ilustrava que a vida feliz não era aquela do senso comum, pintada e cobiçada pela maioria das pessoas. A vida feliz era a vida digna de ser vivida. E a vida digna de ser vivida era aquela na qual o indivíduo não se perdesse de si mesmo, de seus valores e interesses, daquilo que verdadeiramente lhe possuía sentido e razão. Pois, avisava o filósofo, na busca incansável pela felicidade, muitos seguem a manada e acabam, assim, corrompidos em suas almas. Isso porque, para ele, a corrupção não era necessariamente roubar uma nação. A raiz da corrupção está no nosso gesto de trairmos a nós mesmos em nome de promessas alheias ou mesmo de satisfazermos aos desejos que não nos pertencem.

 

Para ter uma vida feliz, portanto, é necessário que você se questione quanto aos seus valores, quanto aquilo que lhe faz sentido, quanto àquelas coisas que fazem pulsar não apenas o seu coração, mas que tocam a sua alma, pois, ao termos nossas almas tocadas, estamos diante de algo verdadeiramente significativo e com propósito às nossas tão singulares existências. De maneira que o caminho do outro é o caminho do outro e o nosso caminho é o nosso caminho. Não dá para seguirmos exemplos. Não dá para fazermos como fizeram. Nem é conveniente que ajamos como determinam que devem ser nossas atitudes. A vida feliz, isto é, a vida digna de ser vivida, passa pelo reconhecimento da vida que, genuinamente, temos interesse em viver. Vida esta que, inevitavelmente, dependerá de nossas ações sobre o mundo, de nossas escolhas, dos passos que, porventura, viermos a dar. Que estejamos atentos e conscientes, sóbrios e comprometidos com a nossa verdade, com as nossas virtudes, com aquilo que nos é tão caro.

 

E que não mais confundamos felicidade com alegria. Alegrias são passageiras, são efêmeras, são eventuais. Acontecem em um momento, mas no outro não, afinal, não recebemos presentes a todo momento. O problema de confundir alegria com felicidade é que acabamos dependentes desses momentos e, assim, vivemos numa procura incessante por prazeres que, enganosamente, nos fazem pensar que temos uma vida feliz. Quantos que não se perdem em vícios, por exemplo? Têm seus momentos de êxtase, de limitada alegria, e logo tornam ao marasmo de uma vida sem propósito. Marasmo este que incomoda e os lança novamente à procura de outros passageiros prazeres. A felicidade, no entanto, não nos deixa inquietos. Ao contrário. Mesmo nos momentos tristes e difíceis ela nos acompanha, ajudando-nos a significar de alguma forma as nossas experiências. E não é que minimizaremos nossa dor ou jogaremos, inadvertidamente, o “jogo do contente”. Apenas teremos a noção de que as experiências da vida precisam ser vividas. Precisamos passar pela dor para, então, chegarmos ao alívio. É isto. Uma vida com propósito e com significado, ou seja, uma vida feliz, não se deixa aprisionar ou paralisar pelos desafios. Antes os utiliza com um meio para um fim: o da construção de uma vida digna de ser vivida.

 

(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)





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