Algumas
pessoas, ao dirigirem-se ao mundo, estão sempre com olhos críticos e posturas
irredutíveis. Dificilmente elogiam – ou quase nunca o fazem – e sempre
encontram uma maneira de se colocarem como superiores, mais capazes, como se
apenas as obras de suas mãos fossem dignas de aplausos e reconhecimentos.
Nesse gesto, diminuem o outro, desconsideram sua disposição e minimizam o seu
esforço. Nem mesmo conseguem reconhecer o quanto o outro, em sua limitação,
busca se dedicar a agradá-las. São arrogantes e são altivas. São incapazes de
ampliar o olhar. Ficam fixas em um ponto tão pequeno e limitado: o centro de
seus umbigos. Acreditando terem todas as respostas necessárias, não se dão
conta do quanto estão vazias e empobrecidas internamente.
A
questão é que gente assim mina as forças e a energia daqueles que o cercam. Quantas
vezes, convivendo com um crítico feroz, sentimo-nos insuficientes e incapazes?
Quantas vezes até mesmo desistimos de algum projeto tão importante por
prevermos que a reação daquela pessoa seria a mais desanimadora possível?
Só que é injusto. É injusto que pelo olhar minúsculo e soberbo de alguém
diminuamos a nossa existência. É injusto que pela postura arrogante e
orgulhosa de outra pessoa, abramos mão dos nossos sonhos e passemos a
considerá-los como bobos, ingênuos ou irrealizáveis. É injusto que
internalizemos uma crença que não nos pertence.
Mas
é difícil desvencilhar-se de tais armadilhas, eu sei… É difícil se
convencer do contrário, sobretudo quando as palavras ásperas e desencorajadoras
vêm daqueles pelos quais nutrimos algum tipo de admiração e dos quais esperamos
alguma forma de motivação e inspiração. Isso porque muitas dessas falas e
posturas surgem de nossos pais, de nossos professores, de amigos queridos, de
pessoas que temos em grande estima! Então é claro que suas palavras e suas
expressões possuem um grande peso a nós. É claro que suas opiniões e
declarações possuem importância! No entanto, é necessário que façamos uma
escolha e coloquemos critério: não é porque amamos que precisamos permanecer na
postura de nos importarmos com aqueles que, desinteressados em nós, só sabem
procurar a si mesmos em nossos olhos. É necessário desapegar. É necessário
seguir em frente.
Não
significa que, portanto, excluiremos em definitivo quem quer que seja das
nossas vidas. Significa apenas que, o peso que aquela pessoa um dia teve,
agora não mais terá e que, se ela não fizer por merecer para continuar em nosso
coração, os ventos da vida se encarregarão de levá-la para longe. Porque é
assim que deve ser. Não podemos nos esforçar por aqueles que não querem
verdadeiramente ficar. Não podemos nos mutilar e distorcer apenas para caber
nas formas opressoras daqueles que, incapazes de saírem de si mesmos, perdem a
beleza do encontro com o outro. Não podemos amar por dois. Amamos por nós. E
se não formos correspondidos… há outros amores por aí…
(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)
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