Há
contextos que nos limitam e privam. Há situações que nos impedem de crescer,
florescer e frutificar. É como se estivéssemos na posição de uma sementinha
ainda tão indefesa, deixada ao relento, à sorte da própria vulnerabilidade… Os
pássaros a comem, os animais a pisam, o vento a leva para longe… Ou, quando a
terra não é cuidada e preservada, a sementinha até tenta fazer resplandecer o
seu potencial, entretanto, lutando contra pedregulhos e sujeiras, perde as
forças e atrofia. O mesmo acontece conosco quando em situações que não nos
permitem desenvolver o potencial que carregamos conosco. Sentimo-nos sufocados
e acorrentados, aprisionados. Perdemos nossa criatividade e espontaneidade
– acabamos impedidos de criar a vida que gostaríamos de viver e ficamos
restritos na liberdade de respondermos aos estímulos da existência dentro de
nossos próprios termos… Há sempre alguém nos dizendo o que sentir, pensar,
falar e fazer. Alguém que silencia nossa voz, limita nossos passos e impede o
nosso crescimento. Alguém ou algo… Fato é que por vezes nos demoramos em
lugares que nos oprimem.
“Onde não puderes amar, não te
demores” (Eleonora Duse)
Que
tenhamos sabedoria para reconhecer quando nos encontramos acorrentados e que
tenhamos coragem para destruirmos as correntes que nos impedem de correr. Que
tenhamos iluminação para compreender quando, egoístas, justificam suas
opressões como se almejassem pelo nosso bem, e que tenhamos forças para que,
olhando em seus olhos, rejeitemos sua aparente boa vontade. Que tenhamos a
capacidade de olhar para dentro, em nosso interior, encontrando ali todo o
potencial adormecido. E que olhemos para fora, para o mundo, à procura de
terrenos férteis ao nosso renascer. Que não percamos tempo em lugares que
nos impedem, restringem e diminuem. Somos demais para eles. E somos demais para
aqueles que, conformados, também poderiam ser muito mais do que são se não
tivessem medo de sobrevoar o céu que, presos à terra, apenas admiram e invejam.
Que livres e confiantes, seguros e fortalecidos, possamos bater nossas asas
e voar o mais alto que pudermos, o mais alto que quisermos! Que possamos olhar
para a vida lá de cima, do topo, do pico mais elevado que conseguimos
conquistar… E que nos sintamos emocionados por termos acreditado em nós mesmos
e no nosso direito de sermos livres. E que lá possamos nos demorar,
pois lá podemos amar, podemos sorrir, podemos viver, podemos sentir a vida!
E que jamais retornemos aos lugares de opressão e sofrimento. Não pertencemos a
eles. E eles não pertencem a nós!
(Texto de Amilton Júnior - @c.d.vida)
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